Jogos de RPG são usados pela ciência comportamental; entenda

Especialistas utilizam o Role-Playing Game como ferramenta para estimular habilidades sociais e aumentar o engajamento terapêutico de crianças e adolescentes

Beto Souza, da CNN Brasil, em São Paulo
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Psicólogos e educadores estão integrando o RPG (Role-Playing Game) em práticas clínicas e pedagógicas para auxiliar no desenvolvimento de competências como empatia, cooperação e resolução de problemas.

A técnica fundamenta-se na gamificação, que utiliza elementos de jogos em contextos fora do entretenimento para criar um ambiente controlado de interação social.

Pesquisas indicam que o uso desses cenários lúdicos facilita a adesão de jovens que apresentam resistência a protocolos terapêuticos tradicionais.

A mecânica do RPG e o convívio social

O RPG é um jogo narrativo em grupo, criado na década de 1970, no qual os participantes interpretam personagens em histórias conduzidas por um "mestre".

Na psicologia, essa estrutura funciona como uma "fachada" para o treinamento de habilidades sociais, permitindo que o indivíduo experimente diferentes papéis e decisões em um ambiente seguro e fantasioso.

A eficácia do método é explicada pela Teoria da Autodeterminação, de Edward Deci e Richard Ryan, que identifica três necessidades básicas para a motivação: competência, autonomia e relações sociais.

Ao interpretar personagens, os participantes sentem que suas ações influenciam o mundo fictício (competência), tomam decisões livres de pressões externas (autonomia) e buscam o pertencimento ao grupo para concluir tarefas (relações sociais).

Aplicações práticas e resultados científicos

Embora o primeiro uso documentado do RPG na psicologia seja de 1997, sua aplicação como ferramenta de auxílio ainda está em expansão no Brasil.

Em Curitiba, projetos com alunos de Altas Habilidades/Superdotação (AH/SD) e transtornos como o autismo mostraram resultados positivos no fortalecimento da autoestima e na capacidade de lidar com as dificuldades alheias.

Segundo o psicólogo Germano Henning, mestre pela USP, há uma relação direta entre o engajamento lúdico e a evolução clínica dos pacientes.