Nasa testa novo motor que pode encurtar viagem de astronautas a Marte

Tecnologia usa plasma de lítio para gerar propulsão e alcançou potência mais de cinco vezes superior à dos atuais sistemas de propulsão elétrica

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
Compartilhar matéria

A Nasa realizou novos testes de um motor experimental que poderá ajudar a reduzir o tempo de viagem de astronautas até Marte. A tecnologia utiliza plasma de lítio e, combinada no futuro a uma fonte de energia nuclear, pode abrir caminho para missões tripuladas mais rápidas ao Planeta Vermelho.

Os testes foram realizados por equipes do Laboratório de Propulsão a Jato (JPL) da agência espacial americana e envolveram um propulsor magnetoplasmadinâmico, conhecido pela sigla MPD.

Segundo a Nasa, o equipamento alcançou mais de cinco vezes a potência dos sistemas de propulsão elétrica utilizados atualmente.

Ver essa foto no Instagram

Um post compartilhado por Marshall Space Flight Center (@nasa_marshall)

Como funciona o novo motor?

Diferentemente de propulsores convencionais, o MPD utiliza correntes elétricas de alta intensidade em interação com um campo magnético para acelerar eletromagneticamente um plasma de lítio.

O plasma pode ser entendido como um gás tão energizado que seus átomos perdem elétrons, formando partículas eletricamente carregadas. No motor testado pela Nasa, essas partículas são aceleradas e expelidas em alta velocidade, produzindo o impulso necessário para movimentar uma espaçonave.

Nas imagens divulgadas pela agência, é possível observar o propulsor funcionando durante a série de testes, com um intenso brilho e uma pluma de plasma sendo expelida pelo equipamento.

O principal desafio para uma aplicação desse tipo em missões de longa distância é fornecer energia suficiente ao sistema. Segundo a Nasa, quando associado a uma fonte de energia nuclear, o propulsor poderia reduzir o tempo necessário para futuras viagens tripuladas a Marte.

A agência, porém, não informou no material divulgado quanto tempo uma viagem poderia economizar nem apresentou uma previsão para que a tecnologia seja utilizada em uma missão com astronautas.

Por que diminuir a viagem até Marte importa?

O desenvolvimento de sistemas de propulsão mais eficientes faz parte de um desafio maior para futuras missões humanas ao espaço profundo.

Em viagens prolongadas, astronautas permanecem expostos por longos períodos às condições do ambiente espacial. Um dos efeitos conhecidos ocorre nos ossos: em média, tripulantes podem perder entre 1% e 1,5% da densidade óssea por mês em microgravidade, segundo a Nasa.

Por isso, enquanto desenvolve tecnologias para futuras espaçonaves, a agência também utiliza a Estação Espacial Internacional para estudar como o corpo humano responde a períodos prolongados no espaço.

Entre as tecnologias avaliadas está o Dispositivo Europeu de Exercícios para Exploração (E4D), sistema compacto que permite diferentes tipos de exercícios e consegue simular distintos níveis de gravidade.

Essas pesquisas fazem parte dos preparativos para missões cada vez mais distantes da Terra. Depois dos voos à Lua, o objetivo de longo prazo é utilizar o conhecimento adquirido para permitir que astronautas possam, futuramente, viajar, viver e trabalhar com segurança em Marte.