ONU declara: "Mundo entrou na era da falência global da água"
Em muitas bacias hidrográficas e aquíferos, o uso de água a longo prazo ultrapassou as entradas renováveis e os limites seguros de consumo, de acordo com o relatório divulgado pela UNU

De acordo com um relatório emitido pela UNU (United Nations University), divulgado na terça-feira (20), o planeta Terra entrou em estado de "falência global da água." Para os pesquisadores, isso significa que o uso de água a longo prazo ultrapassou as entradas renováveis e os limites seguros de consumo.
“Este relatório revela uma verdade incômoda: muitas regiões estão vivendo além de sua capacidade hídrica, e muitos sistemas de água essenciais já estão falidos”, afirma o autor principal, Kaveh Madani, diretor do Instituto de Água, Meio Ambiente e Saúde da Universidade das Nações Unidas ( UNU-INWEH ), conhecido como “O Centro de Estudos da ONU sobre Água”.
Segundo o órgão, o estudo convida os líderes mundiais a facilitar uma "adaptação honesta e baseada na ciência a uma nova realidade", em meio ao esgotamento crônico das águas subterrâneas, à superalocação de água, à degradação do solo e da terra, ao desmatamento e à poluição; fatores que são agravados pelo aquecimento global.
As zonas úmidas foram eliminadas em escala continental e parte do capital hídrico e natural — de rios, lagos, aquíferos, zonas úmidas, solos e geleiras — foram danificadas além do limite, o que exclui as perspectivas de recuperação total desses recursos.

Em termos financeiros, o relatório afirma que muitas sociedades não só ultrapassaram os limites da seu "rendimento" anual de água renovável proveniente de rios, solos e neve, como também esgotaram as "reservas" de longo prazo em aquíferos, geleiras, zonas húmidas e outros reservatórios naturais.
A pesquisa revela que a água subterrânea fornece atualmente cerca de 50% do uso doméstico global de água e mais de 40% da água utilizada na irrigação, ligando diretamente a segurança da água potável e a produção de alimentos a aquíferos em rápida depleção.
Cerca de 70% dos principais aquíferos do mundo apresentam tendências de declínio a longo prazo. A extração excessiva de águas subterrâneas já contribuiu para uma subsidência significativa do solo em mais de 6 milhões de quilômetros quadrados — quase 5% da área terrestre global.
Aproximadamente 70% das retiradas globais de água doce são destinadas à agricultura. Cerca de 3 bilhões de pessoas e mais da metade da produção mundial de alimentos estão localizadas em áreas onde o armazenamento total de água já está em declínio ou é instável.
De acordo com Madani, “milhões de agricultores estão tentando produzir mais alimentos com fontes de água cada vez menores, poluídas ou que estão desaparecendo. Sem uma transição rápida para uma agricultura inteligente em relação à água, a crise hídrica se espalhará rapidamente.”
O estudo do UNU-INWEH (Instituto Universitário das Nações Unidas para Água, Meio Ambiente e Saúde) reforça ainda que bilhões de pessoas permanecem em insegurança hídrica.
De acordo com os dados, quase três quartos da população mundial vivem em países classificados como inseguros ou criticamente inseguros em relação à água.
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*Sob supervisão de AR.


