Operação dinossauro: Brasil tenta recuperar fósseis retirados ilegalmente

Governo brasileiro e pesquisadores citam 'colonialismo científico' e negociam devolução de ossadas em pelo menos 14 países

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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O governo brasileiro, pesquisadores e instituições científicas vêm atuando para recuperar fósseis de dinossauros e outros patrimônios naturais e culturais brasileiros que foram levados para o exterior. Segundo o Ministério das Relações Exteriores (MRE), há pelo menos 20 negociações de restituição em andamento com países da Europa, América do Norte e Ásia.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República no Ceará, os Estados Unidos lideram o número de pedidos de devolução, com oito ações abertas. Em seguida aparecem Alemanha, Reino Unido e Itália. Também há negociações envolvendo França, Suíça, Irlanda, Portugal, Uruguai e Japão.

O tema ganhou força nos últimos anos em meio às discussões sobre o chamado “colonialismo científico”, prática em que materiais fósseis são retirados de países como o Brasil e acabam estudados e expostos em museus estrangeiros.

No mês passado, um acordo entre Brasil e Alemanha avançou na repatriação do dinossauro Irritator challengeri, espécie encontrada na Bacia do Araripe, no Ceará. O fóssil estava desde 1991 em um museu alemão após ter sido retirado ilegalmente do país.

Outro caso de destaque foi a devolução, em 2023, do fóssil do dinossauro Ubirajara jubatus, que hoje integra o acervo do Museu de Paleontologia Plácido Cidade Nuvens, em Santana do Cariri, no Ceará.

Segundo pesquisadores, a saída ilegal desses materiais prejudica a ciência brasileira, já que muitos fósseis acabam inacessíveis a pesquisadores do país e geram estudos publicados sem participação de cientistas brasileiros.

Estudos recentes apontam que grande parte dos fósseis da Bacia do Araripe analisados em pesquisas internacionais foi retirada do Brasil e permanece em coleções estrangeiras sem devolução.

*Com informações da Agência Brasil