Orion: como é a avançada espaçonave da Nasa que levará astronautas à Lua
Espaçonave também deve servir, futuramente, como uma etapa essencial para atuar em missões para Marte; veículo vai decolar na missão Artemis II, prevista para acontecer no próximo mês
Mais de 50 anos depois que os humanos pisaram pela primeira vez na Lua, a Nasa anunciou o retorno de astronautas à órbita lunar em lançamento previsto para fevereiro deste ano. Na missão, uma única espaçonave vai decolar: a cápsula Orion, veículo desenvolvido para transportar os astronautas à Lua.
Segundo a Nasa, a espaçonave — lançada pelo foguete SLS (Space Launch System), o mais potente do mundo — também deve servir, futuramente, como uma etapa essencial para atuar em missões para Marte.
Para o lançamento previsto para fevereiro, o veículo de exploração fornece um espaço habitável para até quatro astronautas em missões de até 21 dias, sem que precise ser acoplada a outra aeronave.
Módulo de tripulação
A espaçonave conta com uma estrutura com proteção térmica e que contém um vaso de pressão, parte subjacente do módulo que consiste em sete peças de liga de alumínio unidas por uma soldagem, que resulta em uma cápsula forte, leve e hermética, para impedir a passagem de ar, gás ou umidade.
Já a parte inferior da cápsula, que deve enfrentar as temperaturas mais altas durante o retorno da Orion à Terra, é coberta por um escudo térmico de cinco metros de diâmetro. O escudo tem por objetivo proteger a Orion na entrada na atmosfera da Terra, suportando temperaturas de quase 2.760 °C, aproximadamente metade da temperatura do Sol.
Segundo a Nasa, a superfície externa do escudo térmico é feito de blocos de um material conhecido como Avcoat, que auxilia na queima de forma controlada, transportando o calor para longe da cápsula.
A cobertura nas laterais cônicas do módulo da tripulação, conhecida como backshell, é composta por 1.300 placas de proteção térmica, feitas de um material de fibra de sílica e usados para proteger a espaçonave tanto do frio do espaço quanto do calor extremo da reentrada na atmosfera terrestre.
Interior da espaçonave
O interior da espaçonave conta com um alojamento para a tripulação, quatro assentos e um piso em uma estrutura de alumínio:
- Alojamento: a espaçonave conta com tanques e um dispensador para fornecer água potável e aquecer alimentos e um compartimento de higiene como vaso sanitário compacto, tanto para homens quanto para mulheres. De acordo com a Nasa, em caso de um evento de radiação, a tripulação pode se abrigar em dois grandes compartimentos de armazenamento no piso da cápsula;
- Capacidade: a cásula acomoda quatro astronautas por até 21 dias de forma autônoma. Os quatro assentos do módulo são ajustáveis e projetados para acomodar quase 99% da população humana;
- Conjunto da espinha dorsal: uma estrutura de alumínio com vigas entrecruzadas, chamada de conjunto da espinha dorsal, compõe a estrutura do piso onde os assentos da tripulação serão fixados e onde ficarão os armários de armazenamento da tripulação.

Módulo de serviço europeu
Fornecido pela ESA (Agência Espacial Europeia), o módulo é o "centro de força" da Orion, localizado logo abaixo da cápsula, sendo o responsável pelo fornecimento de energia elétrica, propulsão, controle térmico, ar e água:
- Propulsão: permite à espaçonave orbitar a Lua e retornar em suas missões, inclusive em situações de emergência. O módulo de serviço possui 33 motores de tamanhos variados, em que o motor principal proporciona capacidade de manobra no espaço;
- Sistema de energia: gerencia a energia gerada pelos quatro painéis solares do módulo. Ao todo, são usadas 15 mil células solares nos quatro painéis para converter luz em eletricidade;
- Controle térmico: inclui radiadores e trocadores de calor para manter os astronautas e os equipamentos a uma temperatura confortável;
- Armazenamento de consumíveis: fornece água potável, nitrogênio e oxigênio para o módulo da tripulação, armazenados em tanques.
O módulo da tripulação da Orion vai se separar do módulo de serviço pouco antes de reentrar na atmosfera terrestre, sendo que o módulo da tripulação é a única parte da cásula que retornará à Terra ao final de cada missão.
Sistema de paraquedas e de controle ambiental
A tripulação vai ter a possibilidade de comandar a espaçonave usando três telas, cerca de 60 interruptores físicos, dois controladores manuais de rotação, dois de translação e dois dispositivos de controle de cursor. Além disso, a cásula também conta com dois sistemas, um de controle ambiental e outro de paraquedas:
- Controle ambiental: sistema regenerável remove dióxido de carbono e umidade, mantendo o ar da cabine limpo, além de manter a temperatura e a pressão da espaçonave;
- Paraquedas: garantem um pouso seguro para os astronautas que retornam à Terra em alta velocidade na espaçonave. A atmosfera terrestre inicialmente vai reduzir a velocidade da espaçonave de cerca de 40.000 km/h para 523 km/h. Em seguida, o sistema de 11 paraquedas deve ser acionado para reduzir a velocidade da cápsula para cerca de 32 km/h;
Após a reentrada na Terra, a espaçonave é ejetada a uma altitude de aproximadamente 7 mil metros para permitir a abertura do sistema de paraquedas.
Artemis II
A Nasa deslocou seu enorme foguete Space Launch System (SLS) em direção à plataforma de lançamento na Flórida no último sábado (17 de janeiro), dando início à fase final dos preparativos para a missão Artemis II, que deverá enviar quatro astronautas ao redor da Lua e de volta já no próximo mês - eles não pisarão no satélite.
Viajando a apenas 1,6 km por hora em sua plataforma de lançamento móvel, o SLS, com 98 metros de altura, emergiu ao nascer do sol das gigantescas portas da garagem do Edifício de Montagem de Veículos da Nasa no Centro Espacial Kennedy para um deslocamento lento até sua plataforma de lançamento a cerca de 6,4 km de distância, enquanto centenas de funcionários e contratados da agência observavam atentamente.
A tripulação da missão inclui três astronautas americanos e um astronauta canadense, e o lançamento está previsto para 6 de fevereiro, embora a confirmação dessa data dependa de um ensaio geral crucial quatro dias antes, que simula a contagem regressiva para o lançamento, a fim de identificar quaisquer problemas ou contratempos antes do voo.
A próxima missão Artemis II do foguete é a segunda no âmbito do programa lunar Artemis da Nasa, que custou bilhões de dólares, após um voo não tripulado em 2022, e a primeira a transportar astronautas, que orbitarão a Lua em uma jornada de 10 dias, levando-os ao ponto mais distante já alcançado pelos humanos no espaço.
(Com informações da Reuters)


