Robô com 20 pernas e 20 olhos dá "bug" em conceito tradicional robótico

Robô consegue acelerar e se locomover para diferentes direções sem precisar se reposicionar antes, algo incomum em modelos tradicionais

Thomaz Coelho, da CNN Brasil, São Paulo
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Pesquisadores da Universidade Duke, nos Estados Unidos, desenvolveram um robô com aparência incomum que pode mudar a forma como máquinas autônomas são projetadas no futuro. Chamado de Argus, o equipamento abandona completamente o conceito tradicional de simetria utilizado na maioria dos robôs atuais.

O robô possui 20 pernas telescópicas e 20 câmeras distribuídas ao redor do corpo, sem uma definição clara de frente, traseira, esquerda ou direita. Segundo os pesquisadores, essa estrutura permite que ele se mova com facilidade em praticamente qualquer direção, além de atravessar terrenos irregulares e resistir melhor a colisões e danos.

O Argus foi desenvolvido a partir de um conceito chamado “simetria dinâmica”, que propõe avaliar a capacidade de movimento do robô em todas as direções, e não apenas o formato do corpo.

“A maioria das pesquisas em robótica aborda a simetria como uma questão relacionada ao corpo, mas argumentamos que a simetria mais poderosa reside no nível do que o robô é capaz de fazer”, afirmou o professor Boyuan Chen, líder da pesquisa.

De acordo com os cientistas, o robô consegue acelerar e se locomover para diferentes direções sem precisar se reposicionar antes, algo incomum em modelos tradicionais.

A estrutura do Argus foi inspirada em um dodecaedro, um sólido geométrico de doze faces, e distribui as pernas ao redor do corpo para gerar forças de movimento de forma uniforme.

Além da locomoção, cada uma das pernas possui uma câmera de profundidade própria, permitindo que o robô tenha uma espécie de “visão de corpo inteiro”.

“Na primeira vez que o vimos navegar entre árvores e terrenos acidentados, mesmo sob fortes colisões, soubemos que se tratava de algo diferente”, disse Jiaxun Liu, coautor do estudo.

Segundo os pesquisadores, o sistema pode ajudar no desenvolvimento de robôs mais eficientes para operações em ambientes extremos, missões de resgate e exploração autônoma.