Resenha de um final de ano desastroso

Este final de ano está sendo muito ruim para os brasileiros e para a humanidade. Senti muito o peso dos fatos e por isso resolvi fazer uma resenha de minhas frustrações neste final de ano.
Primeiro tivemos o terrível massacre de 121 cidadãos nas favelas do rio de Janeiro em 28/10. Ainda não está caracterizado quantos são bandidos, quantos são pessoas que foram assassinadas por estarem no local errado, na hora errada. O fato é que boa parte da sociedade festejou a festa de sangue – bandido bom é bandido morto. Esse deve ser o veredito. Mas a justiça deve ser feita dessa maneira – sem julgamento. É impressionante que estejamos discutindo como em um país democrático, vigora a lei do mais forte e assim a justiça deixa de ser realizada para dar lugar a execuções. E a sociedade aplaude!
A discussão sobre segurança pública fica empobrecida. A questão em um pais onde as prisões estão cheias e existe a terceira maior população carcerária do planeta, onde 56% da população se identifica como negra ou parda e a população carceraria é composta por 70% de negros e pardos! Brancos cometem menos crimes.
A matança realizada pelas polícias do Rio, foi a maior até hoje realizada no país, superou os 111 assassinados do Carandiru! E infelizmente temos muitos outros exemplos de massacres de pobres e negros. Com um ponto em comum sempre – a inação do judiciário na investigação sobre os responsáveis e sobre a identidade dos mortos. A marca mais importante do judiciário brasileiro é a impunidade! Sempre que existirem interesses políticos e dinheiro de brancos, o resultado será sempre escamoteado. Como é terrível viver essa monotonia do judiciário.
E sobre os cadáveres, o secretário de segurança pública do estado de São Paulo, propõe uma lei que desestrutura a organização policial voltada para produzir segurança. Governo federal, com suas polícias (Federal, Rodoviária), policias estaduais (Civil, Militar), policias municipais, não se conversam, não trocam informações e o processo de financiamento das distintas corporações deve se transformar em um jogo de apostas. Que ganhe o mais rápido. E a segurança pública? Valem os interesses eleitorais, nada mais. O país se transformou em pasto de políticos do legislativo e do executivo. Quem deve ser convidado para preencher cargos da área do judiciário? Não o mais preparado para defender os interesses da sociedade e sim os meus amigos, aqueles que representarão a minha vontade.
A seguir agrego o texto abaixo do site The Conversation Brasil: “Terminou nesta sexta-feira, dia 21 de novembro de 2025, a COP mais marcante e democrática da história. Se foi a mais eficiente, só o tempo e o andamento das mudanças climáticas dirão. Mas que o encontro em Belém foi o de maior representatividade étnica e social, não restam dúvidas”. O destaque traz uma notícia boa e muitas dúvidas.
A notícia boa é referente a representatividade étnica, o que deve mesmo ser comemorado. Mas não se pode ignorar que, particularmente os países ricos, usaram o tempo e as condições da realização do encontro em Belém a seu favor – resolveram se negar a reconhecer as ameaças climáticas e a colocar suas reais opiniões sobre o futuro da terra. Empurraram a discussão para a COP 31 na Turquia e na Austrália. Aliás, como vem fazendo desde a COP 1.
Sabemos que o planeta está sofrendo por seu vício em combustíveis fosseis e pela maneira com a forma de produzir alimentos consome nossas reservas de água, produz gases de efeito estufa e produz desigualdades na distribuição do alimento, gerando muita fome e sofrimento. Mas a discussão em Belém não levou essas questões a sério. Sim, se discutiu que países com florestas devem mantê-las, mas isso não contara com a participação dos países que destruíram a terra.
Entre esses dois eventos, tão terríveis, o evento da COP ainda irá produzir muitos outros desastres infelizmente. Mas nesta resenha de barbaridades, tem uma terceira que parece ser uma coisa boa – a liquidação do Banco Master e prisão de seu dono e de alguns executivos. A justiça agiu! Os mecanismos de regulação do mercado funcionaram!
Falso!
Na verdade, esse banco estava pela forma como vinha sendo gerido e como estava distribuindo gordos lucros para os operadores da Faria Lima, que ganhavam para mentir para aplicadores, que também ganhavam para colocar em risco os recursos que deveriam pagar as aposentadorias de trabalhadores (múltiplos foram os fundos que investiram nas letras do Master e sem a possibilidade de serem cobertas pelo FGC).
Desde muito antes das manobras para a venda do Master para um dos últimos 5 bancos públicos estaduais brasileiros, o BRB, o “mercado“ já sabia o que estava sendo cozinhado. Era um golpe onde os donos do Master sairiam com seus milhões devidamente salvos nos paraísos fiscais, os operadores da Faria Lima sairiam com seus lucros e todos incólumes com a lei e o prejuízo seria, como sempre, de poupadores que aceitaram, sabendo ou não dos riscos que corriam.
Os órgãos de regulação econômica (Banco Central) sabiam o que estava acontecendo, mas agiram bem depois de muitas manobras realizadas pelos espertos operadores do capital.
Os três episódios que relato acima, ocorreram em nosso país. Com certeza o massacre e o desvio de dinheiro têm um peso diferente do resultado da COP 30. Depositávamos muitas esperanças no evento multilateral para tratar da crise climática, mas o maior poluidor do mundo não compareceu, pois estava realizando estrepolias a partir da maior economia do mundo. Criando tarifas e se divertindo com o sofrimento do mundo, cancelando o financiamento de importantes entidades como a Organização Mundial da Saúde. Ou seja, ele estava posicionando o USA contra o remédio da crise climática que é o multilateralismo.
Qual o futuro da humanidade e do Brasil? O que vamos ter de pais e de mundo sem resolver os problemas da crise climática, da necessidade de construir uma sociedade mais justa e onde mais importante que o capital seja as vidas e a qualidade da vida em nossa sociedade?
