José Manuel Diogo
Coluna
José Manuel Diogo

O homem de lá e de cá. Presidente da APBRA, diretor da Câmara Luso Brasileira em Lisboa. Professor universitário no IDP em Brasília. Escritor. Especialista em relações luso-brasileiras

Lisboa é destino e esperança para a Gol

Uma companhia aérea que quase faliu decide apostar em Lisboa: à primeira vista parece apenas uma rota, a realidade é um sinal de algo muito maior

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A companhia aérea brasileira Gol Linhas Aéreas anunciou novos voos entre o Rio de Janeiro e Lisboa, quatro vezes por semana, justamente no momento em que começa a sair da crise financeira que a levou a pedir proteção judicial nos Estados Unidos em 2024.

A empresa passou pelo reestruturação conhecido como Chapter 11 e só concluiu essa etapa em 2025, reorganizando a dívida e redesenhando a estratégia internacional.

Mas por que será que uma companhia que acabou de sobreviver a uma quase insolvência escolhe Lisboa como um dos primeiros símbolos da sua recuperação?

Porque Lisboa deixou de ser apenas um destino turístico. Tornou-se uma infraestrutura geopolítica. Para empresas brasileiras — de tecnologia, turismo ou aviação — Portugal funciona cada vez mais como uma porta de entrada para a Europa, um hub natural entre dois sistemas económicos que falam a mesma língua.

O voo, nesse sentido, não transporta apenas passageiros: transporta cadeias de negócios, investimento imobiliário, fluxos migratórios qualificados e uma economia cultural que liga dois continentes.

Há outro fato detalhe revelador nesta história. A expansão internacional da companhia inclui também novos aviões de longo curso, como os Airbus A330neo, precisamente para reforçar rotas transatlânticas.

Isso mostra que o eixo estratégico mudou: o Atlântico voltou a ser um mercado central.

Durante anos acreditou-se que o futuro da aviação brasileira estaria apenas no mercado doméstico ou na ligação com os Estados Unidos. A decisão de reforçar Lisboa aponta noutra direção.

O tráfego entre Brasil e Portugal cresce de forma constante e já combina turismo, migração qualificada, educação universitária e negócios. Com o estabelecimento do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, ganha ainda mais pertinência.

É um mercado híbrido — ao mesmo tempo cultural e económico — que poucas rotas no mundo conseguem replicar.

A história mostra uma coisa: empresas que quase desaparecem tendem a tornar-se mais estratégicas. Apple, Ford, IBM, Marvel, a própria Delta airlines são alguns exemplos. A sobrevivência obriga a escolher melhor onde “pousar”.

E algumas começam a perceber que o Atlântico português não é apenas um oceano. Es um enorme mercado potencial.

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