José Manuel Diogo
Coluna
José Manuel Diogo

O homem de lá e de cá. Presidente da APBRA, diretor da Câmara Luso Brasileira em Lisboa. Professor universitário no IDP em Brasília. Escritor. Especialista em relações luso-brasileiras

O Brasil visita Europa como potência industrial

Presidente Lula embarca na sexta-feira (17) com 14 ministros para Espanha, Alemanha e Portugal, em busca de acordos e um novo lugar no ciclo industrial

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) embarca na próxima sexta-feira (17) para uma viagem oficial à Espanha, Alemanha e Portugal, antecipando a entrada em vigor do acordo provisório do Mercosul com a União Europeia.

Prevendo mais de 30 acordos, o líder brasileiro leva 14 ministros na viagem e possui uma agenda desenhada para ligar democracia, indústria e reposicionamento internacional.

Entre os dias 17 e 21 de abril, o presidente cumpre agenda em Barcelona, Hannover e Lisboa.

Segundo o Planalto, o objetivo da viagem é consolidar parcerias estratégicas e promover a reindustrialização do Brasil na Europa.

O maior evento de tecnologia industrial do mundo, Hannover Messe, confirma o enquadramento: o Brasil é o país-parceiro de 2026 e entra na principal vitrine industrial do continente como ator econômico de escala global.

Desta vez, o Brasil visita a Europa não apenas como fornecedor de matérias-primas, mas como um parceiro capaz de ser protagonista no próximo ciclo industrial.

O principal motivo desta viagem é tentar mudar a imagem (e o lugar) do Brasil na percepção europeia.

A Espanha oferece o palco político, com o Fórum Democracia Sempre e uma cúpula bilateral com o presidente espanhol Pedro Sánchez.

A Alemanha oferece o palco produtivo, onde tecnologia, indústria e investimento falam mais alto do que a retórica.

E Portugal fecha o triângulo com densidade histórica, humana e jurídica, num momento em que a relação luso-brasileira atravessa o debate sobre nacionalidade, mobilidade e pertença.

Viagem pode ser histórica se produzir resultado

A viagem reúne Estado, mercado e comunidade; uma coisa rara que, quando é bem executada, costuma produzir ótimos resultados.

Ainda que com altas expectativas para os dias na Europa, um país não se muda de paradigma apenas com slogans, fotografias de comitiva ou prestígio externo.

Isso acontece apenas quando se consegue transformar o acesso diplomático em cadeia produtiva, a tecnologia em emprego qualificado e a presença internacional em confiança de longo prazo.

A Europa pode abrir portas, mas não pode substituir a disciplina interna que o Brasil ainda precisa demonstrar em produtividade, formação técnica, segurança regulatória e capacidade de execução.

A viagem é promissora porque mostra ambição e será realmente histórica se produzir resultado.

Ao encerrar o ciclo Lula 3, o presidente viaja à Europa para vender a imagem de um Brasil verdadeiramente comprometido com o futuro.

O país se apresenta como o motor do acordo com o Mercosul e um espaço econômico que não apenas faz sentido para os europeus, mas que, neste momento da história, é essencial para eles: democrático, industrial, sustentável e estratégico.

Mas quando o avião presidencial voltar para Brasília (depois de visitar a Espanha, a Alemanha e Portugal), o país real conseguirá acompanhar o país apresentado?

A resposta vale mais do que os 30 acordos: vale o lugar do Brasil na próxima década.