José Marcio de Camargo
Coluna
José Marcio de Camargo

PhD em Economia pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) e economista chefe da Genial Investimentos

Para onde vão os juros

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A semana foi de decisões sobre taxas de juros nos Estados Unidos e no Brasil. Nos Estados Unidos, o Federal Reserve (Fed), decidiu reiniciar o processo de queda da taxa básica de juros. No Brasil, o Banco Central decidiu manter a taxa SELIC em 15,0% ao ano.

A decisão do Fed levantou dúvidas entre analistas e entre diretores do próprio Federal Reserve. De um lado, a taxa de inflação permanece acima da meta de 2,0% ao ano a mais de quatro anos, sem uma tendência à meta desde janeiro de 2025. Os últimos dados mostram uma pequena aceleração do índice de preços ao consumidor (CPI), 0,4% no mês de agosto, acima das expectativas de 0,3%, e 2,9% em termos anuais e o núcleo do índice atingiu 0,3% e 3,1% em termos anuais.

Por outro lado, os dados do mercado de trabalho foram revisados em baixa e dão sinais mais fortes de desaceleração na geração de empregos, mas a taxa de desemprego permanece em níveis historicamente baixos.

Diante destes sinais contraditórios, o Presidente Powell em seu discurso após a reunião, indicou que ambos os mandatos do Federal Reserve, máximo emprego e meta de inflação, estão em risco. Neste contexto, a decisão de reduzir a taxa básica de juros levanta dúvidas entre os investidores e analistas se a decisão foi inteiramente baseada em considerações puramente técnicas ou foi influenciada pelas pressões do Presidente Trump, o que poderá gerar perda de credibilidade da autoridade monetária.

No Brasil, o cenário é mais claro. A taxa de inflação tem mostrado leve tendência de queda, em parte devido à desvalorização do Dólar no mercado financeiro internacional e a consequente valorização do Real frente ao Dólar e ao elevado diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos. Entretanto, a inflação permanece acima da meta, as expectativas continuam desancoradas, o mercado de trabalho bastante forte, devido à política fiscal fortemente expansionista, aumentos de salários nominais próximos a 9,5% ao ano e pressão sobre os preços dos serviços cuja inflação permanece próxima a 6,0% ao ano.

A decisão de manter a taxa SELIC em 15,0% ao ano foi unânime e esperada pela unanimidade dos investidores. Este o custo da política fiscal fortemente expansionista. Ao mesmo tempo, o comunicado que seguiu à reunião foi bastante conservador, indicando que deverá manter a SELIC estável pelo menos até o início de 2026.

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