“Novo normal”

Desde o resultado das eleições presidenciais, o valor do real passou a mostrar forte volatilidade e desvalorização frente ao dólar. A primeira reação foi uma valorização do dólar frente ao real, de 8,12% já no dia seguinte ao pleito, tendo atingido R$ 5,40.
Após esta desvalorização inicial, a expectativa de parte do mercado era de que pelo menos uma parcela do movimento já tivesse sido incorporada aos preços da moeda americana. Além disso, o elevado nível da taxa de juros no Brasil (13,75% ao ano) aumentava o custo de manter dólares na carteira.
Diante disso, o real mostrou um leve sinal de retomada. Entretanto, o alívio foi curto. Nos dias 29 e 30 de outubro, voltou a mostrar forte desvalorização fechando novamente perto de R$ 5,40.
As declarações do presidente reeleito Luís Inácio Lula da Silva e de alguns de seus auxiliares, assim como as promessas de aumento dos gastos públicos para ganhar a eleição, geraram aumento do risco fiscal e saída de recursos do país, pressionando o comportamento cambial.
Esta combinação de elevado nível da dívida pública do Brasil (83,3% do PIB), promessa de superavit primário do setor público pelo governo muito inferior ao necessário para estabilizar a relação dívida/PIB, elevados níveis de volatilidade, aumento da taxa de juros demandada pelos investidores para financiar a dívida e alto nível de endividamento das famílias e empresas torna muito provável forte crise fiscal e recessão. O resultado é pressão inflacionária, aumento das taxas de juros, desaceleração da economia e recessão.
A decisão da próxima reunião do Copom deverá ser um divisor de águas para a política monetária. Após um período de quedas da SELIC e expectativas de continuidade do processo de “calibração” da trajetória de redução da taxa de juros que caiu de 15,00% ao ano para 13,75% ao ano, a forte desvalorização desde a eleição, deverá ser o sinal para a manutenção da SELIC no nível de 13,75% ao ano. Este provavelmente será o “novo normal”.
