Maurício Pestana
Coluna
Maurício Pestana

Jornalista, escritor e especialista em Diversidade e Inclusão. Preside o Fórum Brasil Diverso e RAÇA Brasil Comunicações

Davos, um lugar que não tem santo e nem dá para ter lado

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A ironia é palpável em Davos, onde líderes mundiais historicamente se reúnem para tratar da economia e do futuro da humanidade. Este ano, o tema central é a Groenlândia e a ameaça de ocupação norte-americana.

É como se a história estivesse se repetindo, mas com um toque de hipocrisia. As mesmas potências europeias como França, Inglaterra, Alemanha, Portugal, Holanda, entre outras que se juntaram séculos atrás para dividir a África como se fosse um pedaço de bolo, agora se unem para proteger um “pequeno pedaço de gelo”, como nominou a ilha o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, da cobiça de um de seus próprios aliados.

A Groenlândia, um território autônomo da Dinamarca, tornou-se o centro de uma disputa geopolítica entre os EUA e a Europa. Trump tem expressado interesse em adquirir a Groenlândia, alegando razões de segurança nacional e defesa estratégica. No entanto, a Dinamarca e a Groenlândia têm deixado claro que a ilha não está à venda e que a soberania dinamarquesa não é negociável.

É fascinante observar como as potências mundiais se movem em defesa de seus interesses, muitas vezes esquecendo a história, a moralidade e o passado. A partilha da África no século XIX foi um exemplo claro de imperialismo e exploração, e agora vemos a mesma lógica aplicada à Groenlândia. A única diferença é que, desta vez, os EUA são os vilões da história, e não os abutres europeus de outrora na África e também na América Latina. Ou vamos esquecer das Malvinas, das Guianas Francesas e de outros pedaços de terras do império europeu?

A reunião em Davos é um exemplo de como a política internacional é um jogo de poder e interesses. Os líderes mundiais se reúnem para discutir a defesa da Groenlândia, mas esquecem de mencionar a exploração e o imperialismo que marcaram e ainda marcam suas histórias. É como se a Groenlândia fosse um prêmio a ser conquistado, e não um território com sua própria identidade e cultura.

A resposta da comunidade internacional à ameaça de Trump é um sinal de que a ordem mundial está mudando. A Europa está novamente se unindo para defender seus interesses, e a Dinamarca está firme em sua posição de proteger a Groenlândia ou, como diria o inverso do reverso de uma frase racista, “coisa de branco”.

O que fica claro na disputa pela Groenlândia é um lembrete de que a política internacional é um jogo de poder e interesses, e que a moralidade e a justiça muitas vezes são deixadas de lado, como foi na partilha da África por esses mesmos países que, sem dó nem ressentimento, criaram um dos maiores êxodos da humanidade, condenando o continente africano ao atraso em que muitos países se encontram até os dias de hoje. Que Deus salve a Groenlândia da maldade dessa gente boa!