Trump e a diversidade nesta eleição

As eleições de hoje nos Estados Unidos não são só sobre economia. São sobre identidade. Sobre que tipo de América os americanos querem entregar ao mundo.
O segundo governo de Donald Trump foi marcado por cinco ações muito claras
que levam a este questionamento.
Primeiro, o fim das políticas de diversidade e inclusão no serviço público e a pressão para que empresas privadas fizessem o mesmo. Segundo, a caçada a imigrantes, com deportações em massa e bloqueio a vistos de trabalho. Terceiro, o tarifaço sobre produtos importados, que encareceu o dia a dia. Quarto, a ofensiva contra direitos de gays e trans, com proibições nas escolas e no esporte. Quinto, o desmonte de órgãos federais ligados à educação e ao meio ambiente.
Desses cinco, o primeiro é o que mais dói no bolso e na autoestima do eleitor.
Foram milhões de negros, latinos, mulheres e jovens que perderam bolsas, programas de primeiro emprego, treinamentos e promoções. Uma pesquisa nacional com mais de 300 grandes empresas mostrou que 71% delas viram o fim da diversidade como a maior bagunça no trabalho em 2025. Mais que a inteligência artificial. Mais que as tarifas.
Esse mal-estar se juntou ao medo provocado pela perseguição a imigrantes e aos discursos com tom homofóbico, muito alinhados à extrema-direita mundial. Se isso levar o Partido Democrata de volta à maioria da Câmara e do Senado hoje, será mais que uma derrota numérica.
Será um recado. O primeiro fôlego de quem defende a inclusão depois de dois anos apanhando do movimento anti-woke. Esse movimento fez grandes marcas recuarem. Empresas que antes estampavam diversidade hoje escondem suas metas por medo de serem investigadas pelo governo.
Por isso o voto de hoje vale tanto. Não decide só inflação ou emprego. Decide se os Estados Unidos querem voltar a ser vistos como um país de imigrantes, aberto e diverso, ou se querem se fechar de vez como uma fortaleza conservadora.
