Maurício Pestana
Coluna
Maurício Pestana

Jornalista, escritor e especialista em Diversidade e Inclusão. Preside o Fórum Brasil Diverso e RAÇA Brasil Comunicações

Diversidade, inclusão e mula sem cabeça

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Em meio a tantas mudanças vindas principalmente do exterior nas áreas de diversidade e inclusão, já dá para fazer um balanço a olho nu de como estão as coisas no Brasil em algumas profissões, principalmente quando se trata de contato com um públicos de consumo mais constante nas classes A e B

Em 2017, mais precisamente nove anos atrás, em uma viagem para o Rio de Janeiro, encontrei com duas comissárias de bordo negras. Lembro-me de ter ficado tão surpreso que até postei no Facebook que na época era campeã de acesso entre as redes sociais e trouxe centenas de comentários, incluindo das próprias personagens, que se sentiram especiais por terem sido destacadas nas páginas online da Revista RAÇA.

De lá para cá, muitos voos se passaram e nunca mais encontrei a dupla. Raríssimas comissárias negras encontrei nessa quase uma década, e olha que foram muitos: Salvador, Rio, Porto Seguro, Porto Alegre, Brasília, Belém, Curitiba, e até exteriores como França, Portugal... enfim, inúmeros destinos deste que costumo viajar a trabalho ou a passeio, mas nunca mais vi.

Esta semana, voltando de uma viagem ao Rio de Janeiro, encontrei com uma solitária comissária negra e me fez refletir novamente: por que algumas profissões, mesmo com salários medianos, têm presença negra quase nula? É como se houvesse uma barreira invisível que impedisse pessoas negras de acessar esses cargos, mesmo que tenham as qualificações necessárias.

A falta de representação negra em certas profissões é um problema crônico no Brasil, o mais triste é que isso não é apenas um problema de falta de oportunidades, é um problema de falta de visibilidade. As pessoas negras são constantemente excluídas dos espaços de poder e de decisão, o que perpetua a falta de representação e a desigualdade.

A pergunta que fica é: por quê? Por que é tão difícil ver pessoas negras em certas profissões? É falta de qualificação? É falta de interesse? É falta de oportunidades? Ou falta de vergonha de quem tem a caneta e o poder de mudar isso?

A resposta é complexa, mas uma coisa é certa: Já passou da hora de mudar isso.

E olha que estou falando de comissária de bordo, pois no caso da instância máxima dentro de um avião, que é um piloto negro, esse aí para mim é como “Mula sem Cabeça “ muitos dizem que existe e já até viram!… no Brasil eu mesmo nunca vi!