Maurício Pestana
Coluna
Maurício Pestana

Jornalista, escritor e especialista em Diversidade e Inclusão. Preside o Fórum Brasil Diverso e RAÇA Brasil Comunicações

Oito de março, muita reflexão

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Em uma semana marcada pela brutalidade e pelo desrespeito à vida das mulheres, em que uma bomba mata mais de cento e cinquenta meninas numa guerra feita por homens, uma jovem é vítima de um estupro coletivo no Rio de Janeiro e o feminicídio acontece mais uma vez em São Paulo, como celebrar o Dia Internacional da Mulher?

Celebrar o quê em meio a tanta violência que, há séculos, persiste em vitimizar as mulheres pela força bruta masculina? Talvez a melhor forma de celebrar este dia, em que sem dúvidas a tônica será lembrar da violência, seja dar luz às coisas positivas que têm ocorrido no intuito de frear a violência e as desigualdades entre gêneros.

O exemplo positivo que quero saudar é o de uma instituição que completa 25 anos: o Fundo ELAS, que é um farol de esperança, dedicado ao fortalecimento de organizações lideradas por mulheres cis, trans e pessoas de outras sexualidades no Brasil.

Desde sua fundação, o Fundo ELAS mobiliza recursos no país e no exterior, unindo empresas, fundações, órgãos internacionais e doadores individuais em torno de um propósito comum: impulsionar iniciativas que promovem justiça social, equidade racial e de gênero, enfrentamento às violências e defesa dos direitos socioambientais.

A história do Fundo ELAS é inspiradora. Nasceu da ideia de Amália Fischer, ativista feminista, e se consolidou a partir do encontro de cinco mulheres de trajetórias diversas, envolvidas com a causa, que decidiram criar um fundo para que as mulheres e suas organizações tivessem seus próprios recursos.

A entidade é catalisadora de uma nova abordagem de filantropia no Brasil, que não se limita à simples doação, mas busca estruturar um sistema de apoio às mulheres cis, trans e pessoas de outras sexualidade com base na flexibilidade e na confiança nas organizações.

Mas é importante lembrar que o Fundo ELAS não é apenas um exemplo de sucesso; é também um lembrete de que ainda há muito a ser feito. A violência e a opressão contra as mulheres continuam a ser um problema grave no Brasil e no mundo.

A organização é um passo na direção certa, mas precisamos de mais. Necessitamos de uma mudança sistêmica, de uma revolução que acabe com a cultura da violência e da opressão contra as mulheres no Brasil e no mundo.

Apoiar instituições como o Fundo ELAS, que promovem justiça social e igualdade de gênero, é criar um futuro mais justo e igualitário para todas as mulheres e meninas. É combater a violência e as desigualdades o que nos leva muito mais a refletir sobre o 8 de março do que simplesmente comemorar esse tal Dia Internacional das Mulheres.