Maurício Pestana
Coluna
Maurício Pestana

Jornalista, escritor e especialista em Diversidade e Inclusão. Preside o Fórum Brasil Diverso e RAÇA Brasil Comunicações

Quando a luta pela igualdade racial supera divergências ideológicas

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O Brasil é campeão em descontinuidade de políticas públicas. Aqui é muito comum, quando um gestor toma posse, o ato não dar continuidade ao que o outro começou, e isso muitas vezes acontece até mesmo quando ambos são do mesmo partido. Parece ser farto terminar uma iniciativa ou obra do gestor anterior. Semana passada pude presenciar uma iniciativa municipal que provou o contrário desta máxima na cidade de São Paulo.

Pude ver uma iniciativa em prol da comunidade negra no combate ao racismo que criei na passagem que tive pelo Poder Público há dez anos, não só continuada, mas fortalecida, ampliada e multiplicada pela cidade na atual gestão municipal do prefeito Ricardo Nunes (MDB). E mais, fui convidado para festejar os dez anos de criação do primeiro CRPIR - Centro de Referência de Promoção da Igualdade Racial. Um espaço com assessoria jurídica, psicológica, de saúde e outros serviços direcionados à população negra em uma das regiões mais carentes da cidade de São Paulo, Cidade Tiradentes.

Pude dividir o palco e os aplausos de uma iniciativa pioneira que criei, saindo de quatro equipamentos à época para quatorze na atual administração, que hoje inclusive conta com recursos próprios repassados pela prefeitura, muito diferentes de quando foi criada, quando tinha a dependência de um convênio estabelecido com o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento).

“Ao longo desses 10 anos, o CRPIR Cidade Tiradentes se consolidou como um pilar fundamental no combate ao racismo, na garantia de direitos e no acolhimento da população periférica", ressaltou Elaine Gomes, secretária executiva adjunta de igualdade racial da cidade de São Paulo. Ela destacou: "Nossa missão continua firme: promover a igualdade racial, combater o preconceito e fortalecer a nossa gente todos os dias”.

Foi um dia de celebração e reflexão, mostrando que, se o racismo não tem fronteiras de classe social, gênero, idade ou ideologia, a luta pela igualdade também tem que estar acima de tudo, e é isso que a cidade de São Paulo está demonstrando.