Maurício Pestana
Coluna
Maurício Pestana

Jornalista, escritor e especialista em Diversidade e Inclusão. Preside o Fórum Brasil Diverso e RAÇA Brasil Comunicações

Uma chance à paz

O Dia Internacional da Não-Violência não foi escolhido ao acaso. Instituído pela ONU, é celebrado em 2 de outubro, data de nascimento de Mahatma Gandhi. Outubro, portanto, não é apenas o mês das crianças ou das cores. É o mês em que o mundo é convocado a lembrar que existe uma alternativa à barbárie, e que ela foi teorizada e praticada por um homem desarmado que derrotou um império.

Vivemos, no entanto, o seu exato oposto. A violência se banalizou a ponto de se tornar nossa linguagem oficial. É a violência política das guerras que se espalham como metástase – da Ucrânia a Gaza, do Sudão ao nosso quintal latino-americano – onde a morte ao vivo virou rotina de telejornal. É a violência verbal que contamina cada timeline, cada grupo de família, cada plenário, em que o grito substituiu o argumento e a ofensa se fantasia de opinião.

E é, sobretudo, a violência mais covarde: a física e patrimonial, que nos faz sair de casa calculando o risco de não voltar. Quando uma vida é tirada por um celular, quando o patrimônio de quem tem pouco é destruído por quem tem ódio, o recado é claro e brutal: a vida humana já não vale nada. Naturalizamos o inaceitável.

É contra essa naturalização que resiste, há quase 10 anos, a iniciativa do Shopping Pátio Higienópolis, em São Paulo, que todo mês de outubro transforma um shopping em um território de paz para lembrar o Dia da Não-Violência.

Não é uma ação de marketing. É um ato político e pedagógico de ocupar um espaço de consumo com o que não se pode comprar: reflexão, arte e convivência. Levar essa discussão para o centro do cotidiano é dizer que a paz não é ausência de conflito, é presença de justiça.

Nesta semana, pelo segundo ano consecutivo, tive a honra de ser um dos organizadores. E isso me emocionou de forma particular. Depois de quase 40 anos de estrada como cartunista, escritor, gestor público e hoje como empresário, entendi que o fio que costura toda a minha carreira é o mesmo: diversidade e inclusão. Não há não-violência possível sem incluir quem foi historicamente excluído. Não há paz sem rir de si mesmo, sem contar histórias outras e sem gerar oportunidades para todos. Foi isso que pude dizer lá, e por isso saí de lá mais esperançoso e com o coração cheio de paz!

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