Não é Fla X Flu: debate da escala 6X1 é um dos menos polarizados, diz Dolci
Estudo com 228 mil menções em redes sociais aponta que maioria da população é favorável à mudança, mas discussão sobre o tema nas plataformas ainda ocorre com "critérios pouco técnicos"
Nas redes sociais, o tema do fim da escala 6X1 se mostra um dos menos polarizados no Brasil, aponta Renato Dolci, colunista da CNN Brasil e diretor de dados da Timelens.
“Ao invés de ser um Fla X Flu, a gente pode dizer que ele é um Fla-Fla ou um Flu-Flu, porque as pessoas têm, majoritariamente, a mesma opinião sobre o assunto”, afirmou.
Segundo estudo da Timelens, que analisou mais de 228 mil menções nas plataformas digitais, 82% dos usuários indicam que são favoráveis ao fim da escala 6X1 - independente do espectro político.
“Mesmo do ponto de vista de direita ou de esquerda, a maior parte da população defende esse perfil”, explicou.
Uma boa parte dos apoiadores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e perfis relacionados à esquerda defendem o tema com mais ênfase. Na base de apoio do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), 80% se mostraram a favor.
Por outro lado, apenas 2% dos usuários dizem ser contra o fim da escala 6X1.
No entanto, Dolci pontua que o debate é feito sob “critérios muito pouco técnicos”. “Os estudos que saíram sobre produção, sobre impacto, sobre características econômicas, não geram relevância para boa parte dos usuários”, diz.
Com o avanço da discussão no Congresso Nacional, uma série de confederações divulgaram levantamentos dizendo que uma mudança na escala resultaria em uma “baixa produtividade”.
O CLP (Centro de Liderança Pública) pontuou, em sondagem, que o país pode perder 640 mil empregos caso a jornada semanal seja reduzida de 44 para 40 horas.
O diretor da Timelens explica que, para a população, o foco é outro. “O debate envolve a dignidade do trabalhador e o direito ao descanso”, afirmou.
Em um artigo publicado na revista britânica Times, Joe O’Connor, autor do livro “Faça mais em quatro: por que é a hora de adotar uma semana mais curta”, defende que o número de horas não define a produção do trabalhador. E que menos dias trabalhados podem ser vantajosos.
“Se medirmos produtividade em termos de resultados, pode representar um grande ganho”, escreveu.




