A dor do ghosting: como o hábito dos relacionamentos modernos afeta o corpo

O abandono repentino virou final comum para relacionamentos online. A psicologia explica por que essa atitude é tão danosa

Juliana Santos, colaboração para a CNN Brasil*
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A interrupção brusca e não justificada das comunicações com uma pessoa é chamada de "ghosting". Ela pode acontecer em qualquer etapa de um relacionamento: das primeiras conversas antes de um encontro até mesmo um namoro de anos.

Em todos os casos, levar um ghosting pode provocar sentimentos de rejeição, tristeza, confusão e abandono, além de iniciar um processo de luto típico de términos comuns.

E, segundo especialistas da neurociência e psicologia, a sensação pode ser a mesma de uma dor física.

Rejeição é sentida "na pele"

A psicóloga Jennice Vilhauer é autora de artigos sobre bem-estar no periódico especializado Psychology Today. Em entrevista à American Psychological Association, a doutora em psicologia clínica explica que "dor física e dor emocional estão na mesma via neural".

"Rejeição social pode provocar o mesmo grau de dor de uma lesão corporal, e ativa a mesma região do seu cérebro", afirma. "Existem estudos que sugerem que remédios contra a dor podem ajudar a aliviar estados agudos de sofrimento emocional."

No caso do ghosting, a dor da rejeição é acompanhada por um cenário de ambiguidade: a ausência de contato pode significar um término, mas também pode ser justificada por stress, doença, imprevistos ou outras situações preocupantes.

"O ghosting cria uma sensação de desregulação emocional e falta de controle", descreve Vilhauer. "Você não sabe como reagir porque não entende o que aconteceu."

O ghosting "dói" mais em pessoas com baixa autoestima

A especialista afirma que, em resposta a uma rejeição social, a autoestima e o senso de pertencimento podem cair. Para "vítimas" de vários ghostings com o senso de valor pessoal já abalado, cada rejeição pode doer ainda mais.

"Pessoas com baixa autoestima têm menor liberação de opióides naturais (ou endógenos) no cérebro após uma rejeição, em comparação com aqueles de autoestima mais elevada", diz Jennice Vilhauer no artigo "Por que o ghosting dói tanto" ("Why Ghosting Hurts So Much").

Como superar um ghosting

Gregory L. Jantz, fundador do centro de tratamento para depressão "The Center: A Place of Hope" em Washington, nos Estados Unidos, sugere formas de lidar com a experiência em sua coluna sobre relacionamentos na Psychology Today.

"Escolha continuar fazendo exercícios, alimentando-se de forma saudável, dormindo bem e indo atrás de atividades prazerosas com pessoas positivas", diz. "Não deixe um único acontecimento redefinir sua vida amorosa, e busque apoio de pessoas de confiança. A maioria entende o que você está sentindo".