Ele é monogâmico, exige carinho diário e é quem dá à luz no fundo do mar
Em espécies de cavalo-marinho, o casal mantém um vínculo monogâmico e se cumprimenta diariamente com as caudas; ritual é fundamental para que a fêmea transfira os óvulos para a bolsa incubadora do macho

No ambiente marinho, o cavalo-marinho (Hippocampus) apresenta um sistema reprodutivo único no reino animal, no qual o macho é o responsável por carregar os embriões e dar à luz.
A reprodução da espécie envolve um vínculo monogâmico durante a estação reprodutiva, fortalecido por um ritual matinal de contato físico entre o casal, e culmina na gestação e expulsão de centenas de filhotes por meio de contrações musculares.
Rituais de acasalamento e o cumprimento matinal
O ciclo reprodutivo do cavalo-marinho tem início com rituais de cortejo que costumam ocorrer na primavera. O macho exibe mudanças na coloração corporal e realiza uma dança de acasalamento ao lado da fêmea, processo que pode durar várias horas. Durante esse ritual, os dois animais entrelaçam as caudas e alinham o duto de liberação de óvulos da fêmea com a abertura da bolsa incubadora localizada no abdômen do macho.
Em diversas espécies de cavalo-marinho, o casal estabelece uma relação monogâmica ao longo de toda a temporada de reprodução. Antes de saírem em busca de alimento, os parceiros realizam um comportamento diário ao amanhecer: eles se aproximam e entrelaçam as caudas para se cumprimentar, gesto que reforça o vínculo do casal.
Bolsa incubadora e a gestação masculina
Após a transferência dos óvulos pela fêmea, a fertilização ocorre de forma interna dentro da bolsa abdominal do macho, quando este libera os espermatozoides. A partir desse momento, a fêmea encerra sua participação direta na ninhada e volta sua energia para a produção de novos óvulos.
O período de gestação varia de acordo com a espécie e as condições ambientais, durando de 10 dias a 6 semanas, podendo chegar a até 60 ou 69 dias. A bolsa incubadora atua como uma estrutura de proteção que desempenha funções biológicas complexas:
- Regulação osmótica e térmica: mantém o controle da salinidade e da temperatura adequada para o desenvolvimento embrionário.
- Trocas gasosas: viabiliza o fornecimento de oxigênio e a eliminação de gás carbônico.
- Nutrição e imunidade: fornece nutrientes essenciais e protege os embriões contra infecções.
Embora assuma o papel de gestante, o macho preserva suas características biológicas masculinas, como a produção de hormônios específicos e espermatozoides. Análises genéticas identificaram que os machos expressam genes específicos associados ao fornecimento de nutrientes, à eclosão dos ovos e à preparação para o trabalho de parto.
O momento do parto e a sobrevivência da espécie
Quando os filhotes completam seu desenvolvimento, o abdômen do macho apresenta ondulações rítmicas. Por meio de uma sequência de contrações musculares, o pai expulsa os filhotes para fora da bolsa incubadora em direção ao mar aberto.
Cada gestação gera, em média, de 300 a 500 filhotes, podendo ultrapassar 1.000 indivíduos em determinadas espécies. Ao nascerem, os filhotes medem cerca de 5 milímetros, apresentando o mesmo formato do indivíduo adulto.
Logo após o nascimento, os filhotes não recebem cuidados parentais e são levados pelas correntes marítimas, ficando expostos a peixes maiores e predadores. A taxa de sobrevivência é estimada em cerca de 3%. A estratégia evolutiva de gerar um volume elevado de embriões compensa essa alta mortalidade inicial, garantindo a manutenção populacional e evitando a extinção da espécie nos oceanos.
*Publicado por Beto Souza da CNN Brasil


