Fóssil de 245 milhões de anos preservou seus intestinos e estômago intactos

Austronaga minuta, localizado na China, apresentava alguns dos órgãos vitais demarcados na rocha, evidenciando estruturas que explicam um pouco da evolução das espécies marinhas do período Triássico Médico

Paulo Vito, colaboração para a CNN Brasil
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Cientistas encontraram o fóssil de um antigo réptil marinho de aproximadamente 245 milhões de anos que apresentava uma forma rara: o animal estava com parte de órgãos vitais preservados.

A espécie de Austronaga minuta foi encontrada na China, segundo comunicado publicado na revista Science Advances.

O animal é pequeno, com cerca de 60 centímetros, possui pescoço comprido e teria vivido no período Triássico Médico. Na análise, foram identificadas estruturas importantes do réptil, como seu estômago, fígado e intestinos, marcando a primeira vez que se encontra um animal tão antigo com o sistema digestivo parcialmente preservado.

Paleontólogos afirmam que a espécie apresenta características aquáticas, apesar de seus ancestrais terem vivido em terra firme. As estruturas indicam que o Austronaga foi um exímio nadador, com patas dianteiras maiores que as traseiras, com função de direcionar e estabilizar o ser dentro da água.

Os órgãos do Austronaga minuta foram identificados por meio de luz ultravioleta. O fóssil apresentava uma mancha escura na região das costelas, que mais tarde revelaram um estômago em formato de saco, o fígado, com coloração avermelhada, apresentando vestígios de hemoglobina, além de um tubo longo que representa os intestinos delgado e grosso.

De acordo com Nicholas Fraser, dos Museus Nacionais da Escócia e autor do estudo, o animal possuía apenas uma câmara no estômago, enquanto aves e crocodilos atuais apresentam um estômago dividido em duas partes. “Isso demonstra que os estômagos dos arcossauros eram inicialmente bastante simples e só evoluíram mais tarde no processo evolutivo", declarou.

Ainda no comunicado, Stephan Spiekman, paleontólogo do Museu Estadual de História Natural de Stuttgart e da Universidade de Hohenheim, ambos na Alemanha, e coautor do estudo, sugeriu que a descoberta seja importante para entender como espécies passaram por adaptações complexas para viver nos oceanos.

Antes disso, a crença era de que a adaptação dos arcossauros e seus ancestrais no ecossistema marinho era mais limitada.