Leitura remunerada: país vai pagar cidadãos que leem durante, no mínimo, 15 minutos por dia

Programa do governo de Singapura, que já tem um dos melhores índices de leitura do mundo, promete remunerar uma sessão por dia; especialista defende medida remunerada em prol da prática

Juliana Santos, colaboração para a CNN Brasil
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“Apenas 15 minutos por dia bastam para construir o hábito da leitura”: é este o lema do novo programa do governo de Singapura que promete remunerar cidadãos que dedicam tempo à leitura.

A chefe do comitê nacional de bibliotecas, Melissa Tam, afirma que o intuito é “ver uma nação de leitores curiosos, pensativos, sagazes e preparados para navegar por um mundo cada vez mais complexo”.

Cada sessão de leitura de no mínimo 15 minutos gera 20 moedas virtuais como recompensa. Ao acumular mil moedas, o leitor pode resgatar um dólar singapuriano. Apenas uma sessão pode ser registrada por dia.

O programa ReadSG está em fase piloto e pode ser alterado de acordo com a resposta da população.

Singapura tem o maior índice de adesão à leitura entre os 38 membros da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico), mas a pontuação de seus adolescentes no quesito caiu desde 2022.

A iniciativa cita o uso da inteligência artificial como um dos desafios para a compreensão e assiduidade dos leitores.

Loh Chin Ee, do Instituto Nacional da Educação de Singapura, disse à CNN que “as pessoas ainda leem, no que diz respeito a palavras numa tela. Mas a leitura profunda, que exige tempo e comprometimento, pode acontecer com menor frequência.”

Mas nem todos acreditam no potencial da iniciativa para criar novos leitores.

A psicóloga clínica Charissa Ng afirma que “recompensas monetárias funcionam bem para quem já tem algum interesse por ler, mas para aqueles sem nenhum interesse pré-existente, incentivos em dinheiro dificilmente cultivam uma motivação duradoura e intrínseca.”

*Com informações de Kathleen Magramo