Pintar custaria R$ 5 mil; artesã encontra outra solução e cobre Fusca inteiro com crochê

Batizado de Fuxico, veículo levou cerca de seis meses para ganhar o revestimento artesanal e teve até a cor modificada na documentação

Alessandra Baroni, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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Um orçamento de R$ 5 mil para pintar um Fusca fez a artesã Ana Lúcia Vergetti, conhecida como Lucinha, procurar outra saída para renovar o carro. A solução encontrada dispensou uma nova camada de tinta e levou para a carroceria uma técnica que ela aprendeu ainda criança. O veículo acabou praticamente inteiro coberto por crochê.

Moradora da zona rural de União dos Palmares, em Alagoas, Lucinha levou cerca de seis meses para transformar o automóvel, com a ajuda de uma das filhas. O resultado ganhou o nome de Fuxico e espalhou peças coloridas não apenas pela parte externa, mas também por elementos da cabine, como bancos e volante.

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Depois de ganhar tantas cores, o Fusca passou a ser identificado como de cor “fantasia” na documentação. Desde então, o carro também se tornou uma vitrine do trabalho da artesã e passou a aparecer em eventos e exposições.

Como um orçamento de pintura terminou em crochê?

Antes de cobrir o carro com as próprias peças, Lucinha chegou a cogitar fotografar uma colcha de crochê e usar a imagem em um adesivo sobre a carroceria. A ideia evoluiu até chegar ao revestimento artesanal que caracteriza o Fuxico.

O projeto acabou reunindo duas histórias antigas. Lucinha aprendeu crochê aos 10 anos, observando uma mulher conhecida como Dona Tutu trabalhar com as linhas. A relação com o Fusca também vem de décadas, já que foi em um carro do modelo que aprendeu a dirigir quando era recém-casada.

Depois de pronto, o Fuxico passou a circular e marcar presença em eventos dedicados ao artesanato. Em 2024, esteve entre as atrações da Mega Artesanal, em São Paulo.

Manter uma carroceria coberta por fios também exige cuidados. Sol e chuva podem desgastar o material e desbotar as cores. Quando o revestimento precisa ser renovado, as peças são retiradas, os resíduos de cola removidos e a superfície preparada novamente.

Até a documentação precisou acompanhar a transformação

O crochê não ficou restrito ao Fusca. Lucinha já revestiu até um liquidificador, mostrando que objetos pouco convencionais também entram em suas criações.

No Fuxico, porém, a transformação teve efeito até na documentação. Pelas regras do Contran (Conselho Nacional de Trânsito), quando uma alteração atinge mais de 50% da área do veículo e não há uma tonalidade predominante, a cor pode ser registrada como “fantasia”.

Foi essa a classificação adotada para o carro, que passou das linhas e agulhas para uma mudança oficial em seu registro.