Telecinese: como funciona a suposta capacidade de mover objetos com a mente usado no enredo de diversas histórias de Stephen King

Fenômeno que já apareceu em diversas produções de terror e ficção científica fascina cientistas e pesquisadores paranormais há décadas

Giovanna Csiszar, colaboração para a CNN Brasil

A manifestação de superpoderes é algo que acontece com frequência na cultura pop. Nos quadrinhos, os heróis usam a força física ou habilidades mentais para combater o mal e salvar o dia. Já em histórias de terror, fenômenos sobrenaturais relacionados à mente são o centro de histórias famosas, como nas obras do escritor Stephen King, que explora a crença de que o cérebro pode controlar a matéria para desenvolver diversos personagens.

Esse fenômeno, chamado de telecinese, fascina cientistas e pesquisadores paranormais há décadas. A manifestação pública mais conhecida aconteceu em 1960, quando o ilusionista israelense Uri Geller entortou colheres e chaves em rede nacional.

Embora suas habilidades tenham sido questionadas e até classificadas pelo próprio Geller como truques de mágica, a CIA tornou públicos, em 2017, uma série de estudos sobre as supostas capacidades paranormais do ilusionista. Nos documentos, a agência relatou que, durante os testes, Geller “exibiu habilidade perceptiva paranormal de modo contundente”.

Da mesma forma, Stephen King atribuiu aos personagens Carrie, Abra Stone e aos jovens de "O Instituto" poderes psíquicos capazes de ameaçar a ordem estabelecida em seus respectivos universos.

Como funciona a telecinese?

Segundo o Instituto de Neurociência dos EUA, do ponto de vista da física, a telecinese exige que a mente gere forças suficientemente poderosas para mover a matéria, uma produção de energia muito além da capacidade do cérebro.

O Centro de Pesquisa Rhine, na Carolina do Norte, tentou estudar as condições desse fenômeno em ambientes controlados, buscando efeitos sutis em vez de móveis voando ou talheres entortados.

Os defensores relataram resultados intrigantes em experimentos envolvendo pequenos dispositivos e processos aleatórios. Já os críticos argumentam que as descobertas não forneceram provas concretas de que a mente pode mover a matéria.

A ciência convencional também classifica a telecinese como ficção, embora ela continue a inspirar discussões espirituais e filosóficas sobre consciência e energia. A versão futura que mais se aproxima dos poderes manifestados por meio da telecinese é o implante cerebral BrainGate, que ajudou Matt Nagle, um homem tetraplégico, a realizar tarefas do dia a dia com a força do pensamento.

Segundo o The Guardian, o experimento foi realizado em 2005 e provou que Nagle conseguiu usar o pensamento para abrir e fechar uma prótese de mão e mover um braço robótico para pegar doces da mão de uma pessoa e colocá-los na mão de outra. Ele também aprimorou suas habilidades em jogos de computador com o clássico arcade Pong.

De acordo com o Instituto Robert J. e Nancy D. Carney para Ciências do Cérebro, da Universidade Brown, pesquisadores estão desenvolvendo uma nova geração de neurotecnologias médicas sem fio que serão capazes de registrar e monitorar a atividade neural para auxiliar no tratamento de doenças neurológicas.