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    Acesso a crédito foi a maior dificuldade das pequenas indústrias em 2022, diz CNI

    Falta ou alto custo de matéria-prima deixou de ser o principal incômodo das MPEs industriais

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    Dados do Panorama da Pequena Indústria (PPI) divulgados pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) nesta segunda-feira (30) mostram queda nos quatro indicadores que analisam a atuação das micro e pequenas indústrias brasileiras no último trimestre de 2022: desempenho, situação financeira, confiança e perspectiva.

    Entretanto, apesar da retração, os indicadores se mantiveram acima da média histórica. Além disso, entre os principais problemas nos últimos meses do ano passado, empresários relataram insatisfação com acesso ao crédito e com a taxa de juros.

    Segundo a analista de Políticas e Indústria da CNI, Paula Verlangeiro, o recuo nos últimos três meses de 2022 foi uma questão sazonal e, ainda assim, foi mais brando que o observado na média histórica do período. “Essa queda ocorreu após um terceiro trimestre de desempenho positivo para a pequena indústria”, aponta.

     

    O Índice de Desempenho fechou o quarto trimestre de 2022 com 44,3 pontos. Quando comparado com o mesmo período no ano anterior (47,4 pontos), o indicador apresenta uma redução de 3,1 pontos. A média histórica é 43,8 pontos.

    O levantamento mostra também uma mudança no ranking dos principais problemas do setor. Depois de quase dois anos, oscilando entre os três principais problemas, a falta ou alto custo de matéria-prima deixou de ser o principal incômodo.

    Nos últimos meses do ano passado, os empresários reclamaram mais da elevada carga tributária e das taxas de juros. Outros desafios que se destacaram no período, foram a demanda interna insuficiente, burocracia excessiva, competição desleal e dificuldades na logística de transporte.

    Acesso ao crédito

    Um ponto que chama atenção na pesquisa é o Índice de Situação Financeira, que apresentou uma leve queda entre novembro e dezembro de 2022, de apenas 0,7 ponto, fechando o ano com 43 pontos. Quando comparado com o mesmo trimestre de 2021, este ano apresentou um aumento de 1 ponto.

    Empresários dos três setores (construção, transformação e extrativa) declararam estar mais insatisfeitos do que antes com o acesso ao crédito. Para a CNI, conseguir o dinheiro é fundamental para o desempenho das MPEs, seja para reestruturação ou para a expansão dos negócios.

    O gerente de Política Econômica da CNI, Fábio Guerra, diz que o cenário do mercado de crédito é desafiador por conta, principalmente, das taxas de juros. “Conhecer bem as informações envolvidas nesse processo pode ser decisivo no sucesso da contratação do crédito e nas condições dessa contratação, em termos de taxa de juros, prazos, carências, garantias, entre outros pontos”.

    Outro indicador do levantamento, o de confiança, também apresentou queda no último trimestre de 2022 e registrou 48,8 pontos. É a primeira vez, desde julho de 2020, que MPEs industriais relatam falta de confiança. Conforme o relatório, isso pode influenciar na tomada de decisão deles na hora de realizar investimentos e contratações futuras.

    A CNI aposta que as perspectivas para os próximos meses também estão abaixo da linha de 50 pontos.