Brasil foca em diversificação e mapeia novas rotas para o agro exportador
Adidos agrícolas do Ministério da Agricultura produzem relatórios indicando tendências e oportunidades de mercado para os produtores nacionais

O Brasil tem investido fortemente na diversificação das exportações do agronegócio nacional.
Mensalmente, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) produz relatórios que identificam oportunidades de mercado e indicam produtos com potencial de exportação para os produtores brasileiros.
Os documentos apontam possibilidades tanto para produtos de origem vegetal quanto animal, e trazem uma análise densa e detalhada de dados — que vão desde os hábitos de consumo de cada país, com especificidades por produto, até avaliações sobre a conjuntura política, avanços regulatórios e a legislação vigente em cada destino.
A ideia é ir além dos produtos tradicionais, como café, soja e carne bovina, já amplamente exportados pelo Brasil, e identificar novas oportunidades a partir das demandas específicas de cada mercado.
Nesse contexto, os adidos agrícolas desempenham um papel crucial. Técnicos e servidores públicos de carreira, eles são os responsáveis diretos pela produção dos relatórios. Além de analisarem as tendências de mercado e os sistemas políticos e regulatórios dos países, também atuam como elo entre o governo brasileiro e os governos locais, mantendo diálogo constante com autoridades estrangeiras.
No caso da gripe aviária, por exemplo, foram os adidos os responsáveis pela interlocução com os governos durante as negociações que levaram à redução dos embargos impostos ao frango brasileiro por países importadores.
As indicações de novas rotas, alinhadas à estratégia de diversificação da pauta exportadora, são extremamente específicas e revelam oportunidades muitas vezes não percebidas pelo setor produtivo.
No relatório de junho, uma das recomendações foi explorar o mercado de mangas nos Estados Unidos.
Os especialistas explicam que, apesar da produção limitada no país, o consumo interno quadruplicou nas últimas duas décadas. Em 2023, os EUA importaram US$ 571,4 milhões em mangas frescas, com mais de 90% das frutas vindo do México, Brasil, Peru, Equador e Guatemala.
Os adidos destacam que o Brasil, já visto como parceiro confiável e com vantagens competitivas sobre alguns concorrentes, tem espaço para ampliar as exportações dessa fruta aos EUA.
Outra oportunidade apontada pelo Mapa é a carne caprina na Nigéria. Com mais de 220 milhões de habitantes e forte presença do produto na dieta local, a produção doméstica não atende à demanda, abrindo uma lacuna no mercado de proteínas animais.
O ministério avalia que o Brasil pode assumir protagonismo nesse cenário.