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    Americanas demite 1.400 funcionários e fecha mais uma loja

    Em janeiro, varejista entrou com um dos maiores pedidos de recuperação judicial da história do país

    Com as novas demissões, o número de funcionários da empresa caiu a 35.741, de acordo com o relatório semanal
    Com as novas demissões, o número de funcionários da empresa caiu a 35.741, de acordo com o relatório semanal REUTERS/Ueslei Marcelino

    Da CNN*

    A Americanas afirmou em relatório sobre sua recuperação judicial que demitiu 1.404 funcionários entre os dias 17 e 24 de julho.

    A varejista também informa que fechou uma loja no Mato Grosso do Sul (MS), segundo documento publicado.

    Com as novas demissões, o número de funcionários da empresa caiu a 35.741, de acordo com o relatório semanal.

    A loja fechada operava na cidade de Campo Grande (MS). Com o encerramento da atividade, a base de pontos físicos de venda da empresa caiu a 1.825 no país.

    Em nota, a Americanas diz que “Segue com foco na manutenção de suas operações e no aumento de sua eficiência”.

    Entenda o caso

    Em janeiro deste ano, a Americanas comunicava ao mercado que havia detectado inconsistências em lançamentos contábeis estimadas em R$ 20 bilhões, com data-base de 30 de setembro de 2022.

    Era o início da maior fraude da história corporativa do Brasil que abalaria o mercado pelos próximos meses.

    A resposta veio logo, no dia seguinte as ações da varejista despencaram quase 80%, com perda estimada de US$ 8 bilhões em valor de mercado.

    À época, os acionistas buscaram denunciar a companhia à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) para apurar responsabilidades da empresa de auditoria PwC. Enquanto isso, a varejista buscou estabelecer um comitê de apuração interna.

    No balanço, as inconsistências detectadas deveriam levar a uma dívida da ordem de R$ 40 bilhões.

    A varejista então conseguiu proteção na justiça contra bloqueio de ativos e cobranças de credores, – pedido esse que foi renovado no dia 12 deste mês – em um primeiro sinal de possível pedido de recuperação judicial. No dia 19 de janeiro, a previsão se concretizou e a Americanas deu entrada a um pedido de recuperação judicial, um dos maiores da história do país.

    Mesmo após seis meses, Fernando Ferrer, analista da Empiricus Research, destaca que o momento não é propício para a varejista, que ainda deve fechar mais lojas.

    “No digital, temos um faturamento de R$ 1,2 bilhão em dezembro de 2022 contra apenas R$ 100 milhões em abril de 2023. Isso representa uma queda muito expressiva, de 90%”, explica o analista. “A Americanas tinha quase 2 mil lojas, não tem como ter isso tudo com uma dívida desse tamanho e em meio de um processo de recuperação judicial. Ela já fechou lojas e ainda vai ter que fechar muito mais”.

    Contudo, Ferrer enfatiza que a situação está caminhando para evoluir mais.

    “Há uma expectativa de que a empresa faça uma assembleia em agosto e comece a aprovação do plano de reestruturação”, diz.

    Enquanto isso, Guilherme Paulo, operador de renda variável da Manchester Investimentos, conclui que o caso Americanas passou uma grande lição para o mercado como um todo, que deve passar por melhorias na parte contábil. “Também vale citar que a auditoria independente da época que deixou passar esse rombo com certeza também vai acabar sofrendo alguma penalidade”.

    Leia a íntegra da nota da Americanas

    A Americanas informa que, diante da reestruturação de algumas frentes de negócio a partir de seu plano de transformação, realizou o desligamento de colaboradores. A companhia segue com foco na manutenção de suas operações e no aumento de sua eficiência. A Americanas reforça seu comprometimento com a transparência na relação com os sindicatos, mantendo-os informados dos movimentos de reestruturação, assim como garante o cumprimento integral e tempestivo de suas obrigações trabalhistas, na forma da legislação vigente.

    *Com informações de Reuters