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    Ano novo, boletos de sempre: prepare-se para as contas de início de ano

    Primeiros meses são marcados por impostos, dívidas de final de ano e período de matrícula e material escolar

    Primeiro passo para se preparar para as contas de começo de ano é realizar um planejamento financeiro
    Primeiro passo para se preparar para as contas de começo de ano é realizar um planejamento financeiro Mikhail Nilov no Pexels

    Davi Franzoncolaboração para o CNN Brasil Business

    Além da tradicional expectativa de um ano melhor, a virada de 2021 para 2022 traz também as despesas típicas de início de ano.

    A lista de pagamentos da maioria das famílias brasileiras começa com impostos, com destaque para o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e o IPVA (Imposto sobre Propriedades de Veículos Automotores ), mensalidade e rematrícula de escolas e universidades e o material escolar.

    Como dar conta dessas obrigações, que se somam aos gastos parcelados das festas de Natal e Réveillon, e não iniciar o ano com uma ressaca da mistura de dívidas antigas e das recém-chegadas?

    Especialistas em finanças pessoais consultados pelo CNN Brasil Business  reuniram algumas dicas e caminhos para fugir do endividamento e honrar com os compromissos. Confira:

    Planeje-se (sempre)

    O primeiro passo é realizar um planejamento financeiro. Colocar no papel, no smartphone ou em uma planilha eletrônica – o que funcionar melhor para cada um –  todos os gastos previstos, sejam eles de curto, médio ou longo prazo.

    O ideal é fazer essa organização ao longo do ano para estar preparado no começo do ano seguinte para absorver o aumento dos custos.

    Os valores devem ser detalhados pelas parcelas que serão pagas a cada mês e o custo final da conta – se possível, relacione as taxas de juros.  Do outro lado, a renda familiar, ou seja, todos os valores a receber. A

    o examinar os números dessa tabela, será possível identificar qual a real situação financeira. Se há capacidade para cumprir todas as obrigações ou se o endividamento está fora do controle.

    Gustavo Cerbasi, consultor e especialista em finanças pessoais, diz que esse planejamento de gastos é simples, mas a maioria das famílias não o adota. Como resultado, elas têm dificuldade para estudar sua situação e ter uma previsão de suas contas para o ano que entrará.

    “Fazer um bom planejamento doméstico permite identificar os períodos do ano em que pode ocorrer um pico de consumo, o que inclui aniversários, celebrações, feriados, pagamento de impostos e outros débitos. No entanto, no Brasil, muitos vivem o presente sem pensar no futuro”.

    Sem medos

    Também é preciso perder o medo de cortar. Em um cenário de economia em desaceleração e com um quadro pouco favorável à retomada dos empregos, é preciso adequar os gastos à realidade financeira de cada família.  Reduza tudo o que for possível, mude hábitos de consumo, opte por passeios mais baratos e substituía itens caros por mais baratos. O sacrifício pode evitar o total descontrole das contas.

    Impostos

    No caso do IPTU e do IPVA, a dúvida recorrente é: pagar à vista, quando se tem o dinheiro em caixa, ou optar pelo parcelamento? Vale a pena utilizar parte do 13o, no caso daqueles que conseguiram poupá-lo, para abater essas contas e ter mais fôlego para os demais compromissos que ainda chegarão?

    Para o professor Ricardo Teixeira, coordenador do MBA em Gestão Financeira da FGV (Fundação Getulio Vargas), é preciso aguardar a divulgação oficial dos valores por estados e municípios. Feito isso, deve-se analisar se há um outro débito que, pago em parcela única, dará um desconto superior ao de ambos os impostos.

    Existindo, faça a opção pelo parcelamento. “Parcelar IPTU e IPVA sai mais barato que os juros de um crediário no comércio. O desconto oferecido pelo comerciante, ao se negociar o pagamento de uma vez, provavelmente compensará muito mais que as parcelas únicas dos impostos”.

    Mauro Calil, Fundador da Academia do Dinheiro, dá uma dica para os mais preocupados com o impacto dos impostos no bolso. Na planilha de gastos, coloque os valores pagos em 2021 e faça um reajuste entre 10% e 15%.

    Essa projeção permitirá uma previsão de quanto será destinado para cada um. Sobre pagar parcelado ou à vista, Calil sugere a seguinte comparação: se o desconto oferecido na parcela única for de 5% e o rendimento de uma aplicação conservadora pagar 10% no ano, opte pelo parcelamento e deixe o recurso rendendo.  Caso o investimento não ultrapasse os 5%, elimine os impostos em uma única parcela. “Em um cenário de incertezas, como o atual, há um aspecto adicional. Quando você paga à vista, o risco de atrasar uma parcela deixa de existir. Este é um ponto que também deve ser levado em conta”.

    Neste mesmo caminho, Rodrigo Sivieri, professor de finanças pessoais da Trevisan Escola de Negócios, orienta, no caso de quem conseguiu guardar parte do 13o salário, escolher um investimento corrigido pela taxa Selic (hoje em 9,25% ao ano) e utilizar esse rendimento para pagar as parcelas dos impostos. “Quem optar por esse plano precisa ter a consciência de que aquele valor terá como destino o pagamento dos impostos. Usá-lo em novos gastos acabará prejudicando o planejamento financeiro”.

    Construa uma reserva para imprevistos

    Os especialistas consultados ressaltam a importância da formação de uma reserva de emergência. Esse caixa pode ser formado com parte do 13o, uma parte da renda familiar e por meio de atividades remuneradas realizadas fora do trabalho formal.

    Gustavo Cerbasi explica que qualquer recurso extraordinário deve ter como destino a redução do endividamento de início de ano e, em seguida, deve-se começar a recompor essa poupança. Ele lembra que as famílias, na maioria dos casos, começam janeiro com dívidas acumuladas e ainda precisam dar conta dos parcelamentos dos presentes de Natal e férias.

    Essas contas serão um problema para quem não tem uma reserva.  “Como as famílias não planejam esses gastos com datas festivas, elas já começam o ano pagando prestações e entrando no limite da capacidade financeira e sem nenhuma margem para enfrentar imprevistos”.

    Rodrigo Sivieri indica que uma boa organização das contas permitirá a reserva pelo menos 20% da renda para esse caixa. Esse percentual pode ser divido em 10% para aplicações e 10% para pagamento de despesas de curto prazo.

    Não tenha vergonha de (re) negociar

    Para o especialista Ricardo Teixeira, o brasileiro precisa superar a vergonha de procurar seus credores e ter a iniciativa de oferecer um plano de renegociação de dívidas ou de futuros pagamentos. A orientação é buscar o credor e informar que a situação de adimplência atual pode ser comprometida nos próximos meses e propor uma forma de seguir com as contas em dia.

    “Quando escolher esse caminho, já tenha em mente um valor que caiba no orçamento, defina uma margem de segurança que não comprometa a renda mensal. Essa medida permitirá incluir todas as dividas dentro desse montante e evitar que, meses depois, se enfrente novos problemas”, diz Teixeira.  O professor de finanças pessoais afirma que é melhor sentar e explicar a situação do que paralisar pagamentos e iniciar um processo de refinanciamento com juros e multas.

    Teixeira dá o exemplo da dívida escolar. “Antes de atrasar as mensalidades, o melhor é procurar a escola e conversar antes de começar a atrasar sobre a viabilidade de uma forma de parcelamento dos débitos futuros”.

    Mauro Calil também  indica a adoção de uma reengenharia financeira. A iniciativa prevê a troca de dívidas mais caras, ou seja, com juros mais elevados, por mais baratas. Procure o credor, ofereça o pagamento do débito e peça o abatimento de juros e multas, orienta Calil. Ao concretizar essa negociação, busque uma linha de crédito ao consumidor e faça os pagamentos.

    “Se bem planejada, é possível trocar, por exemplo, uma dívida com juros de 10% ao mês por uma correção de 4% no crédito ao consumidor. A margem de negociação será maior se você ainda estiver adimplente”, diz Calil.

    Aqui um checklist para fazer e não entrar no vermelho 

    • Coloque todas as receitas e despesas em uma planilha;
    • Identifique todas as datas que podem gerar um pico de consumo;
    • Faça uma reserva para situações de emergência;
    • Levante quais itens em sua casa podem ser vendidos para pagamento de dívidas ou se tem algum tipo de trabalho extra que posso ser feito;
    • Estipule um valor limite para as compras de fim ano. Não faça compras por impulso;
    • Adapte sua realidade financeira aos gastos da família. Corte gastos, mude hábitos e substitua o que for possível;
    • Procure seus credores e ofereça planos de renegociação de débitos. Faço isso ainda adimplente, pois a inadimplência dificultará as negociações.
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