Autoridade nuclear confirma avanço de danos em depósitos de rejeitos
Órgão regulador diz que população está protegida, mas permanência de rejeitos em estruturas degradadas representa risco potencial

A ANSN (Autoridade Nacional de Segurança Nuclear) confirmou que houve progressão de danos estruturais em dois depósitos de rejeitos radioativos interditados desde 2019 no IEN (Instituto de Engenharia Nuclear), na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, e reconheceu que a permanência do material em estruturas degradadas representa “risco potencial”.
A manifestação ocorre após reportagem da CNN revelar com exclusividade documentos que apontam alertas sobre instabilidade estrutural nas edificações pelo menos desde 2016.
“Em inspeção recente, a Autoridade constatou a progressão de manifestações patológicas já registradas anteriormente, incluindo fissuras estruturais, infiltrações recorrentes e outras inadequações construtivas”, diz o texto.
Embora o órgão ressalte que “não haja evidências de colapso estrutural iminente”, admite que a permanência dos rejeitos em estruturas degradadas representa risco potencial quanto à manutenção, ao longo do tempo, das condições adequadas de confinamento exigidas pelas normas de segurança.
Os dois depósitos estão interditados desde maio de 2019, por decisão regulatória motivada por não conformidades estruturais identificadas em fiscalizações conduzidas à época pela então Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear da Cnen (Comissão Nacional de Energia Nuclear).
A ANSN destacou que, desde a interdição, houve acompanhamento contínuo, com registros formais de não conformidades e determinações para adoção de medidas corretivas, cabendo ao operador da instalação, o IEN, a responsabilidade pela execução das ações necessárias.
Em janeiro de 2026, o instituto apresentou atualização de plano para transferir temporariamente os rejeitos para outra instalação, enquanto seriam realizadas as intervenções estruturais nos depósitos originais. A autoridade ressaltou que a execução da transferência depende de análise técnica rigorosa e autorização formal prévia.
“Tal proposta não constitui autorização automática, estando sujeita a avaliação técnica rigorosa e à emissão de ato formal pela ANSN”, diz o órgão regulador.
A autoridade também afirmou que, nas condições atuais, a população do entorno permanece protegida pelas barreiras de confinamento existentes e pelo controle de acesso à área.
Criada em agosto de 2025, após cisão institucional da Cnen, a ANSN ressaltou que hoje exerce de forma independente as funções de regulação e fiscalização do setor nuclear brasileiro.
Até agosto de 2025, a Cnen reunia atribuições de operação dos depósitos e de regulação, por meio da Diretoria de Radioproteção e Segurança Nuclear. A criação da ANSN decorre da separação dessas funções, com o objetivo de fortalecer a independência regulatória.
Procurados, o IEN/Cnen disseram que seguem rigorosamente as orientações da ANSN quanto à adequação do Galpão L, edificação preparada para receber os rejeitos radioativos provenientes dos prédios 1 e 3, os quais passarão por manutenções. O cronograma das obras está mantido, com previsão de conclusão em maio de 2026.
Foi apresentado à ANSN um plano de ação, que vem sendo integralmente cumprido. A obra constitui prioridade máxima para a CNEN, contando com pleno suporte estrutural e orçamentário, com recursos assegurados pelo MCTI para o cumprimento dos prazos estabelecidos.
"Reiteramos que a área do depósito permanece sob vigilância e controle rigorosos, e que laudos técnicos atestam a inexistência de risco de colapso estrutural das edificações. Assim como a ANSN, reafirmamos que estão plenamente resguardadas a segurança da população, dos trabalhadores e do meio ambiente".


