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    BC decide juros nesta quarta-feira (22) dividido entre inflação alta e crise de crédito

    Cresce o coro de economistas que acreditam que Copom pode adiantar corte da Selic neste ano, mas preços persistentes dificulta a equação

    Juliana Eliasda CNN

    em São Paulo

    É amplo o consenso entre analistas e economistas de que o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) não irá mexer na Selic em sua reunião desta quarta-feira (22), e decidirá por mantê-la nos mesmos 13,75% em que está desde agosto do ano passado.

    Há muita expectativa, entretanto, em relação às novidades que o comunicado da diretoria do BC trará a respeito dos movimentos futuros da taxa básica de juros – e eles não são consensuais.

    Desta vez, o Copom chega à sua reunião do mês com apostas tanto de que ele tem razões para adiantar os cortes de juros neste ano, quanto para postergá-los ainda mais.

    A decisão do Comitê será divulgada após o fechamento das operações na bolsa nesta quarta-feira.

    “Com certeza a ata [sobre a decisão] terá algo demostrando preocupação com a inflação que, se não for uma nova subida na taxa de juros, pode ser a expectativa de não cortá-la por um tempo maior”, disse o economista-chefe da Frente Corretora, Fabrizio Velloni.

    A inflação de fevereiro foi mais forte do que o esperado, ainda segue longe da meta e, para o fim do ano, os economistas seguem elevando as projeções de que ela pode subir ainda mais.

    O IPCA em 12 meses até aqui está em 5,6%, para uma meta que, em 2023, tem o centro em 3,25% e o teto em 4,75%.

    “Se a tendência de deflação do fim do ano passado tivesse continuado, o começo dos cortes poderiam ser em agosto ou setembro”, diz Velloni. “Mas a inflação vem persistindo mesmo com os juros a 13,75%, então o BC talvez só comece a mexer nos juros em janeiro ou fevereiro de 2024.”

    Já o economista-chefe do Banco Master, Paulo Gala, acredita que outros fatores devem começar a entrar na conta do Banco Central, e justificar sinais de uma redução de juros mais cedo.

    “Desde a última reunião [em fevereiro], tivemos duas novidades: a desaceleração da economia, com uma queda do PIB no quarto trimestre, e também um agravamento da situação de crédito tanto com empresas brasileiras, quanto com o problema dos bancos nos Estados Unidos”, disse.

    “Ele tem que pesar tudo. Não adianta controlar a inflação com a economia entrando em recessão e as empresas quebrando”, conclui.

    Esses fatores, de acordo com Gala, abrem espaço para que o BC possa adiantar o corte de juros provavelmente para agosto, com uma redução bem gradual ao longo do segundo semestre, em cortes de 0,25 ponto, até a Selic baixar a 12,75%. Em 2024, ela pode chegar a 10%.

    Para a equipe econômica da XP, o novo quadro de riscos para a atividade e o crédito também muda o cenário, mas ainda “não está claro o quanto esses fatores alteram o balanço de riscos do Copom”, afirma a corretora em relatório a clientes.

    Por ora, a casa mantém sua projeção de que o BC siga até o fim de 2023 sem cortar os juros.

    “O comunicado que acompanha a decisão, porém, deve mudar consideravelmente em relação à reunião anterior, considerando turbulências no sistema bancário dos EUA e da Europa; eventos de crédito no Brasil (como as “Lojas Americanas”); e a proposta de novo arcabouço fiscal do governo brasileiro”, escreveu.

    “Efeito Lula”

    Às vésperas da reunião do Copom, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fez, nesta terça-feira (21), em entrevista à TV 247, novas críticas a taxa de juros a 13,75% no Brasil e declarou que “vai continuar batendo” no Banco Central.

    No entanto, a relevância da pressão para um corte nos juros após a reunião ainda é incerta. Não dá para ter certeza se os argumentos colocados pelo presidente serão o suficiente para impactar a decisão do Banco Central sobre o juro.

    Para isso, a instituição precisaria mudar a percepção sobre a economia brasileira e sobre os rumos da inflação.