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    BCE afasta preocupação com inflação na zona do euro, mas incerteza sobre alta de juros se mantém

    Para Philip Lane, queda nos valores da energia reduzirá índice inflacionário e rápido crescimento salarial não está pressionando preços

    Economista-chefe do BCE, Philip Lane, durante evento da Reuters em Nova York
    Economista-chefe do BCE, Philip Lane, durante evento da Reuters em Nova York Reuters/Gary He

    da Reuters

    A queda nos preços de energia reduzirá a inflação subjacente na zona do euro e o rápido crescimento salarial não está pressionando os preços, disse o economista-chefe do Banco Central Europeu, Philip Lane, nesta sexta-feira (26).

    A inflação está teimosamente alta por quase dois anos e algumas autoridades têm alertado que o núcleo da inflação corre o risco de permanecer acima da meta de 2% do BCE, possivelmente induzindo um processo de autorreforço.

    Afastando esses temores, Lane argumentou que a inflação subjacente aumentou à medida que os altos custos de energia tiveram que ser incluídos no custo de tudo, de bens a serviços, um processo que deve ser revertido agora que os preços do gás voltaram aos níveis anteriores à guerra na Ucrânia.

    “Não acho que seja simétrico… mas quando os preços de energia caem, o núcleo da inflação segue, porque há menos pressão do custo de energia, há menos pressão sobre o custo de vida e, portanto, sobre os aumentos salariais nominais”, disse Lane uma conferência.

    “Portanto, achamos que essa reversão espetacular dos preços de energia fomentará o núcleo inferior, mas o cronograma e a escala disso são incertos”, acrescentou.

    Lane também afastou os temores de que o crescimento dos salários nominais esteja ficando alto demais e também possa reforçar a inflação.

    “Em média, os salários estão subindo de forma muito moderada; muitas pessoas ainda estão presas a contratos antigos”, disse Lane. “Os últimos acordos estão chegando acima de 5%, mas (isso está no) patamar do que esperamos.”

    Taxa de juros

    O Banco Central Europeu não deve tentar prever até onde os juros precisam chegar, dada a grande incerteza na dinâmica da inflação, disse Philip Lane.

    “Escolhemos no Conselho do BCE não transmitir uma (estimativa de) taxa terminal semanalmente ou a cada reunião porque passa uma sensação de certeza que não existe”, explica Lane em uma conferência.

    Seus comentários vêm poucos dias depois que uma série de autoridades do BCE — incluindo o alemão Joachim Nagel, o francês François Villeroy de Galhau e o holandês Klaas Knot — fez previsões específicas sobre o número de aumentos de juros ainda necessários e o momento do pico.