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    Cerca de 100 milhões de brasileiros não têm coleta de esgoto, mostra relatório

    Documento do Instituto Trata Brasil aponta ainda que 35 milhões de pessoas no país não têm acesso à água tratada

    Municípios com os piores indicadores investem em média 340% a menos do que os que têm maior acesso aos serviços
    Municípios com os piores indicadores investem em média 340% a menos do que os que têm maior acesso aos serviços Getty Images

    Emylly Alves*da CNN

    em São Paulo

    Cerca de 100 milhões de brasileiros não dispõem de rede de coleta de esgoto, e 35 milhões não têm acesso a água tratada. É o que mostra relatório divulgado nesta terça-feira (22), Dia Mundial da Água, pelo Instituto Trata Brasil (ITB).

    A pesquisa escancara o déficit de saneamento básico no país. Os seis piores municípios do Brasil em acesso a saneamento básico estão na região Norte. O líder negativo do ranking é a capital do Amapá, Macapá, seguida por Porto Velho (RO), Santarém (PA), Rio Branco (AC), Belém (PA) e Ananindeua (PA).

    Na outra ponta, entre as seis cidades que têm os melhores índices, quatro são do estado de São Paulo. A lista é puxada por Santos, no litoral paulista, à frente de Uberlândia (MG), São José dos Pinhais (PR), São Paulo (SP), Franca (SP) e Limeira (SP).

    De acordo com o estudo, os municípios com os piores indicadores investem em média 340% a menos do que os que têm maior acesso aos serviços.

    Isso ocorre em um cenário em que apenas metade do volume de esgoto gerado no Brasil é tratado, o que equivale a mais de 5,3 mil piscinas olímpicas de esgoto sem tratamento todos os anos.

    “Essa edição de 2022 evidenciou uma estagnação dos municípios que sempre estão nas piores posições. O que nos assusta é que estas cidades, mais uma vez, são da região Norte do país, onde o acesso ao saneamento ainda é mais deficitário do que em outras regiões. Há capitais que estão trabalhando nos últimos anos para saírem dessa posição, mas não é a regra, é a exceção”, avalia Luana Siewert Pretto, presidente-executiva do Instituto Trata Brasil.

    O Trata Brasil avaliou ainda os investimentos nas capitais: entre 2016 e 2020, foram investidos cerca de R$ 23 bilhões em saneamento básico. Segundo o relatório, o valor é insuficiente para o Brasil cumprir a meta, instituída no Novo Marco Legal do Saneamento, de fornecer água para 99% da população e coleta e tratamento de esgoto para 90%, até 2033.

    A nova edição do Ranking do Saneamento Básico aborda indicadores de água e esgotos nos 100 municípios brasileiros mais populosos. Divulgado desde 2009, o relatório é baseado em dados do Sistema Nacional de Informações sobre Saneamento (SNIS), do Ministério do Desenvolvimento Regional.

    Ranking do Saneamento Básico

    10 piores cidades

    1. Macapá (AP)
    2. Porto Velho (RO)
    3. Santarém (PA)
    4. Rio Branco (AC)
    5. Belém (PA)
    6. Ananindeua (PA)
    7. São Gonçalo (RJ)
    8. Várzea Grande (MT)
    9. Gravataí (RS)
    10. Maceió (AL)

    10 melhores cidades

    1. Santos (SP)
    2. Uberlândia (MG)
    3. São José dos Pinhais (PR)
    4. São Paulo (SP)
    5. Franca (SP)
    6. Limeira (SP)
    7. Piracicaba (SP)
    8. Cascavel (PR)
    9. São José do Rio Preto (SP)
    10. Maringá (PR)

    Panorama dos 20 piores municípios

    Historicamente, as piores posições do Ranking do Saneamento Básico são ocupadas por municípios da região Norte, Nordeste e pelo estado do Rio de Janeiro. Há também uma predominância de cidades do Paraná, São Paulo e Minas Gerais nas melhores posições.

    O relatório mostra que somente 31,78% das pessoas nos 20 piores municípios são abastecidas com coleta de esgoto, enquanto nos 20 melhores o percentual chega a 95,52%. Em Santarém (PA), que registra o menor índice de esgoto, apenas 4,14% da população têm acesso aos serviços.

    Quando analisado o critério de acesso a redes de água potável, 99,07% da população das 20 melhores cidades tem acesso ao recurso, contra 82,52% da população entre os 20 piores municípios com o serviço.

    *Sob supervisão de André Catto