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    Argentina defende revisão do acordo entre UE e Mercosul por “não responder ao cenário atual”

    Declaração se dá no momento em que as negociações estão travadas após os europeus apresentarem um documento que prevê sanções às nações sul-americanas em caso de descumprimento de normas ambientais

    Eduardo Gayer, enviado especial, do Estadão Conteúdo

    No discurso de abertura da cúpula do Mercosul, o chanceler da Argentina, Santiago Cafiero, defendeu a revisão do acordo comercial com a União Europeia por, na sua visão, não responder aos desafios do cenário atual.

    A declaração se dá no momento em que as negociações entre as partes, embora na reta final, estão travadas após os europeus apresentarem um documento adicional ao acordo que prevê sanções às nações sul-americanas em caso de descumprimento de normas ambientais. O dispositivo irritou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que negocia a retirada do trecho para sancionar o acordo comercial.

    A cúpula do Mercosul começou nesta segunda-feira (3), em Puerto Iguazú, na Argentina, país que na terça-feira (4) passará a presidência pro-tempore do bloco para o Brasil.

    Hoje, o governo Lula é representado por três autoridades: o ministro de Relações Exteriores, Mauro Vieira; o secretário-executivo do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa; e a secretária para Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Tatiana Rosito.

    Para Cafiero, o texto do acordo UE-Mercosul é um “esforço desigual entre blocos assimétricos e não responde ao cenário atual”.

    “Para materializar potencialidades e para que acordo tenha bons resultados para ambas as partes, é necessário trabalhar e atualizar os textos de 2019”, afirmou o chanceler, em discurso.

    O ministro argentino assegurou que a gestão Alberto Fernández defende, sim, o avanço nas negociações com os europeus, mas mediante ajustes.

    “Em fevereiro recebemos, depois de quatro anos, o documento adicional sobre ambiente e apresenta visão parcial do desenvolvimento sustentável excessivamente focado no ambiental, com escassa consideração sobre desenvolvimento econômico e social”, disparou.

    “Precisamos reagir em conjunto ao chamado protecionismo verde. Isso está ancorado em preocupação genuína, mas na prática pressupõe proteção da produção e produto dos países desenvolvidos que afeta comércio em geral, mas em particular países como os nossos, produtores de alimentos e matérias primas, entre os quais são setores essenciais e fundamentais de nossas economias”, acrescentou Cafiero, em uma postura mais voltada ao desenvolvimento em relação ao ambientalismo.

    Ao defender seu ponto de vista, o chanceler argentino citou trechos do tratado, com diferenças entre liberação de tarifa de exportação entre as duas partes.

    “Os bens industriais importados da União Europeia não estão submetidos a nenhuma taxa. A margem de negócios ficou mais restrita para um bloco do que para o outro”, acrescentou o chefe das Relações Exteriores da Argentina.

    “O acordo pode ser oportunidade para reacomodar desequilíbrios de acordo e reajustá-lo a um mundo que mudou nos últimos quatro anos”, seguiu, em defesa de um meio-termo.