China nega acusações de trabalho forçado em resposta a sobretaxa dos EUA

"Nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política", diz porta-voz do Ministério das Relações Exteriores

Da CNN Brasil
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A China afirmou nesta quarta-feira (3) que se opõe a todas as formas de tarifas "unilaterais" e negou as alegações de trabalho forçado, após os Estados Unidos proporem tarifas adicionais sobre importações de 60 economias, citando falhas no controle do comércio de bens fabricados nessas condições.

"Não existe o chamado trabalho forçado na China, e nos opomos ao uso disso como desculpa para manipulação política", disse Mao Ning, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, em uma coletiva de imprensa.

Como mostrado pela CNN, os EUA propuseram na terça-feira (2) a imposição de tarifas adicionais de 10% ou 12,5% sobre as importações provenientes de 60 economias, incluindo a China, após concluírem que a sua incapacidade de restringir esse comércio de bens é injustificada e restringe o comércio americano.

No comunicado, o governo americano afirma que estes países falham ao impor e aplicar efetivamente uma proibição à importação de bens produzidos com trabalho forçado.

O USTR (Representante Comercial dos Estados Unidos) propõe tarifas adicionais sobre todos os produtos das economias investigadas.

Para as economias que impõem uma proibição à importação de produtos provenientes de trabalho forçado, que se comprometeram a impor e fazer cumprir tal proibição ou para as economias que impuseram um regime parcial com o efeito de impedir a importação desses produtos, o USTR propõe uma alíquota de 10% para as tarifas adicionais. É o caso de Canadá, Equador, Indonésia, México, Paquistão e União Europeia.

Para todas as outras economias, propõe uma alíquota de 12,5% para as tarifas adicionais. Este grupo é composto por Brasil, Argentina, China, Japão, Reino Unido, Rússia, entre outros países.

No relatório, o USTR diz que China não implementou nem aplicou de forma eficaz uma proibição à importação de produtos relacionados ao trabalho forçado.  "Constatamos que a falta de implementação e de aplicação eficaz dessa proibição é irrazoável".

De acordo com o governo americano, os resultados desta investigação indicam que os atos, políticas e práticas da China relacionados à falta de implementação e de aplicação eficaz de uma proibição à importação de produtos associados ao trabalho forçado são irrazoáveis e impõem ônus ou restringem o comércio dos Estados Unidos.

“A falha dos nossos parceiros comerciais mais importantes em abordar a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado é inaceitável. Isso cria uma dinâmica em que os trabalhadores americanos são forçados a competir globalmente em condições desiguais”, disse Jamieson Greer, Representante de Comércio dos Estados Unidos.

“Não toleraremos mais essa disparidade. Alguns parceiros comerciais já tomaram medidas iniciais para impedir a importação de mercadorias produzidas com trabalho forçado, inclusive por meio do USMCA e de compromissos em Acordos sobre Comércio Recíproco. No entanto, cada um dos nossos parceiros comerciais deve fazer mais para garantir que o comércio não incentive e perpetue o trabalho forçado em nível global.” afirmou Greer.

*com informações da Reuters

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