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Banco Master recebeu investimentos de fundo ligado ao crime organizado

Reag Investimentos, que foi alvo da Operação Carbono Oculto, negociou CDBs na instituição financeira que foi liquidada pelo Banco Central

Vitória Queiroz, da CNN Brasil, Brasília
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O Banco Master mantinha vínculo financeiro com as gestoras de investimentos Trustee DTVM e a Reag Investimentos, alvos da Operação Carbono Oculto, deflagrada para desmantelar esquema de fraudes e de lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. 

Em comunicado divulgado ao mercado em setembro de 2025, após a Operação Carbono Oculto, a Reag Investimentos informou que o fundo Hans 95 negociou CDBs (Certificado de Depósito Bancário) do Banco Master

“Confirmamos que o fundo Hans 95 negociou CDBs do Banco Master no período de referência. Tais operações envolveram a aquisição, pelo fundo acima referido, de CDBs de uma instituição financeira regulada pelo Banco Central do Brasil, sem guardar atipicidade em relação ao histórico de negociações realizadas pelo referido fundo ou clientes de perfis semelhantes”, diz a Reag Investimentos no documento.

A Reag Investimentos informou, no comunicado, que apenas o fundo Hans 95 é gerido por uma das 13 sociedades controladas pela companhia e autorizadas pela CVM (Comissão de Valores Mobiliários) a prestar tais serviços. De acordo com o documento, essas sociedades gerem mais de 330 fundos, com um capital total de mais de R$ 225 bilhões em agosto de 2025.

“O patrimônio das gestoras não se confunde com o patrimônio dos fundos por elas geridos, que pertencem apenas a seus cotistas, de modo que investimentos e aplicações feitas em nome desses fundos não podem ser considerados aplicações financeiras e/ou investimentos de titularidade da própria Companhia ou dessas gestoras”, diz a companhia.

Já a Trustee DTVM era a principal administradora dos fundos do Master Asset Management — braço de gestão de recursos do grupo Banco Master. 

A Trustee foi alvo da Operação Carbono Oculto por suspeita de aquisição e ocultação de bens para o grupo criminoso; e a Reag, por ocultação de valores sem origem comprovada.

Quando a operação foi deflagrada, o Banco Master informou que a Reag era uma prestadora de serviços do banco, com atuação restrita à gestão e administração de fundos, assim como diversas outras gestoras e administradores que prestavam ao banco esse tipo de serviço.

"O Banco Master é apenas um entre centenas de clientes da Reag, que é uma das maiores do País, não tendo qualquer participação na sua gestão, estrutura societária ou decisões internas", disse a instituição na época.

A Trustee informou na ocasião que renunciou à administração de todos os fundos suspeitos antes mesmo da operação ser instaurada, por desconformidade de atualização cadastral identificada há alguns meses. A gestora afirmou ter “processos rigorosos de diligência” e disse não possuir qualquer relação pessoal com os investigados.

Os criminosos usam fintechs e fundos de investimentos para ocultar patrimônio e lavar dinheiro. Segundo informações da Receita Federal, a organização criminosa chegou a controlar 40 fundos de investimentos, com um patrimônio total em torno de R$ 30 bilhões.

Na última terça-feira (18), o Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Master. A decisão foi motivada por "grave crise de liquidez" e "graves violações" às normas do sistema financeiro.

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