Crise do diesel pressiona inflação dos alimentos

Prefeituras do RS relatam quebras de abastecimento; produtores criticam escalada no preço do combustível

Mariana Suzuki, colaboração para a CNN Brasil*
Compartilhar matéria

A disparada do preço do diesel pressiona a inflação dos alimentos, com impactos diretos na produção agrícola e na logística da distribuição interna dos produtos. 

A crise do petróleo causada pela guerra no Irã embaralhou a cadeia de distribuição de diesel no Brasil. O país importa cerca de 20% do diesel consumido internamente.

E há uma diferença crescente entre o preço praticado pelas refinarias da Petrobras e o que é importado pelas distribuidoras nacionais. 

No Rio Grande do Sul, o desafio chegou justamente no momento da colheita de arroz, soja e milho. Segundo Eberaldo de Almeida Neto, ex-presidente do IBP (Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás), o problema tem relação direta com a estrutura de abastecimento da região.

“A oferta no Sul é complementada por importação. Em período de safra, como agora, essa demanda cresce e a importação se torna ainda mais importante”, conta. 

A reação dos produtores ao aumento de custo é repassar o preço ao consumidor final ou reduzir a margem da operação.

Defasagem ameaça distribuição

A defasagem no preço praticado pela Petrobras em relação ao mercado internacional faz com que os importadores de combustíveis tenham menos incentivos para trazer o produto ao mercado nacional. 

“Se há sinalização de controle de preços, o investidor se afasta. Ninguém consegue operar com risco de mercado e, ao mesmo tempo, com preços artificialmente represados”, complementa Almeida Neto. 

Para Thiago Godoy, apresentador da Resenha do Dinheiro, o impacto vai além do setor de energia.

“Como o combustível é a base do transporte no Brasil, qualquer interrupção afeta o escoamento da produção, encarece o frete e chega rapidamente ao preço dos alimentos”, afirma.

Mesmo sendo um problema regional, os efeitos tendem a se espalhar. “O Rio Grande do Sul é um dos principais produtores do país. Quando há dificuldade na distribuição, o impacto se espalha e pode atingir o consumidor em todo o Brasil”, observa Godoy.

O impacto final da crise, entretanto, dependerá da duração da escassez. Se o abastecimento voltar ao normal nas próximas semanas, os efeitos tendem a ser limitados. Caso contrário, a pressão sobre os preços pode se espalhar para diferentes setores da economia.

Resenha do Dinheiro

Realizado com o apoio da B3 e da gestora de investimentos BlackRock, o programa é apresentado por Thiago Godoy, o "Papai Financeiro"; Bernardo Pascowitch, fundador e CEO do Yubb; e Marilia Fontes, sócia-fundadora da Nord Investimentos; e propõe uma abordagem leve, direta e descomplicada sobre temas ligados a educação financeira e investimentos.

O programa vai abordar semanalmente as principais notícias e movimentos da economia com a leveza de uma conversa informal — como uma resenha entre amigos, no boteco ou após o futebol — mas sem perder a análise e o conteúdo.

A Resenha do Dinheiro vai ao ar todas as sextas-feiras, às 19h, no canal do CNN Money no YouTube.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais