Prime Time

seg - sex

Apresentação

Ao vivo

A seguir

    Ações da Sabesp operam em queda de mais de 5% nesta terça-feira

    Governo paulista anunciou ontem que seguirá com o processo de privatização da companhia com um modelo que envolverá oferta pública de ações da empresa;

    Governo de São Paulo planeja iniciar ainda no próximo ano as audiências e consultas públicas para a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp)
    Governo de São Paulo planeja iniciar ainda no próximo ano as audiências e consultas públicas para a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp) Foto: Gilberto Marques/Governo do Estado de SP

    João Nakamurada CNN*

    As ações da Sabesp operam em queda nesta terça-feira (1º). Perto das 13 horas, os papéis da companhia de saneamento básico do Estado de São Paulo desvalorizavam 4,03%, cotados a R$ 55,77, respondendo pelo pior desempenho do Ibovespa, que cedia 0,96% no mesmo horário.

    O pior desempenho registrado no pregão dessa terça foi às 11:45, quando as ações operavam a R$ 54,92, em queda de quase 5%.

    Na segunda-feira (31), o governo paulista anunciou que seguirá com o processo de privatização da companhia com um modelo que envolverá um “follow-on” (oferta pública de ações) da empresa.

    Para Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, o modelo aprovado desagradou o mercado. “O estado ainda vai ficar muito relevante, não pulverizando tanto quanto na privatização da Eletrobras“, com a qual, segundo Cruz, o investidor esperava que o processo da Sabesp fosse mais parecido.

    A desvalorização de hoje ocorre após uma sequência de sete altas nas ações da companhia, que acumularam valorização de quase 8%.

    “O movimento de queda da Sabesp está relacionado com uma realização de lucros, sabendo que desde quando a bolsa estava nas mínimas deste ano, ela teve uma valorização de mais de 20%”, afirma Gabriel Bassotto, analista chefe de ações do Simpla Club.

     

    Governo aprova privatização

    Conselho do Programa de Parcerias de Investimentos do Governo de São Paulo aprovou na última segunda-feira (31) a privatização da Sabesp, a maior estatal paulista, disseram fontes a CNN.

    Confirmando a apuração da CNN na semana passada, o colegiado optou pelo modelo de privatização preterido pelo governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Trata-se do “follow-on com acionista de referência”.

    Na reunião, foi apresentado um estudo preliminar do International Finance Corporation (IFC) – instituição do Banco Mundial contratada pelo governo paulista – para atestar a viabilidade da venda da estatal, com redução de tarifa, antecipação de investimentos e possibilidade de universalização dos serviços até 2029 – quatro anos antes do prazo máximo definido pelo marco legal do saneamento básico.

    “A antecipação da meta de universalização vai exigir um investimento maior em um período menor de tempo, e isso também pressiona o resultado da empresa”, afirma Gustavo Cruz.

    O estudo também apresenta o modelo aprovado pelo conselho.

    Analistas do Safra afirmaram em relatório a clientes que a aprovação do modelo é “um marco importante – e positivo – para a privatização da Sabesp”.

    Contudo, ainda ponderam que o “timing” continua sendo uma preocupação relevante, uma vez que veem as eleições municipais de 2024 como um prazo para a privatização.

    O governo de São Paulo planeja iniciar ainda no próximo ano as audiências e consultas públicas para a privatização da Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp). A ideia é concluir a venda da estatal ainda no primeiro semestre.

    Contudo, ainda é necessária, até o final do ano, a aprovação de um projeto por parte da Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp).

    Follow-on com acionista de referência

    Para execução desse modelo, há uma oferta pública primária e secundária de ações por parte do governo de São Paulo, que é o acionista majoritário da Sabesp.

    O formato se assemelha ao da privatização da Eletrobras, mas a diferença é que a companhia de saneamento teria acionistas de referência que teriam uma participação entre 15% e 20%.

    O governo de São Paulo manteria uma posição relevante na empresa – algo entre 20% e 35% – e teria uma “golden share” com poder de veto para decisões de caráter estratégico.

    A ideia predominante no governo Tarcísio de Freitas é que ninguém tenha controle formal da Sabesp, mas que haja um “bloco de controle” – com três acionistas detendo de 15% a 20% das ações – que poderia informalmente controlar a empresa.

    Entre os pontos positivos do modelo proposto pelo governo paulista, a equipe do Safra destacou que a participação dos investidores de referência pode auxiliar na definição das diretrizes gerais da empresa após a privatização.

    Os analisas também avaliaram que a manutenção do estado de São Paulo como acionista pode facilitar as negociações para renovação de contratos com os municípios – a Sabesp opera 375 municípios – e aprovação do projeto na Alesp.

    Ainda apontaram positivamente o fato de que as cláusulas contratuais incluirão incentivos para que a empresa acelere a implementação do investimento (capex) e atenda aos padrões de qualidade, “o que pode apontar para um regime regulatório mais flexível – versus o atual quadro regulatório”.

    Contudo, os especialistas Gabriel Bassotto e Gustavo Cruz ainda veem como problemática a indefinição da questão da tarifa. “Ainda não ficou muito claro como vai ser. As tarifas, que são definidas parciais atualmente, terão de ser reduzidas para que o processo ande nos próximos meses”, afirmou Cruz.

    Bassotto reforça que o risco da privatização também está na “falta de alguns detalhes cruciais para o mercado” sobre como se daria o processo. Apesar do levantamento do estudo do IFC, o analista chefe de ações do Simpla Club aponta como incerta a definição de como vai ser a desestatização e a negociação com os municípios.

    “Além das dificuldades em relação à negociação, tem um fator político de votação que entronca a situação. O calendário fica muito apertado, o que acrescenta risco para o processo”, pontua Bassotto.

    *Sob supervisão de Ana Carolina Nunes. Com informações de Caio Junqueira, da CNN; e de Reuters