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    Com o aumento no preço do bacalhau, restaurantes apostam em outros peixes para a Páscoa

    Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo também mostraram que a importação do alimento deve diminuir 32% neste ano

    Associação Brasileira de Bares e Restaurantes está otimista e esperando um aumento na movimentação durante o período
    Associação Brasileira de Bares e Restaurantes está otimista e esperando um aumento na movimentação durante o período Rafaela Cascardo/Reprodução

    Rafaela Cascardoda CNN

    no Rio de Janeiro

    Um levantamento da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) mostrou que o preço de importação do bacalhau, alimento típico da Páscoa, subiu quase 86% neste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. A importação do produto deve ser 32,7% menor que na Páscoa de 2022.

    “A queda nas importações do pescado é um indício de que o varejo pode estar apostando na melhor saída de produtos mais baratos”, analisa o economista Fabio Bentes, responsável pelo estudo. Ele aponta que a cesta de bens e serviços relacionada à Páscoa (chocolates, pescados diversos, bacalhau, bolo, azeite de oliva, refrigerantes, vinhos e alimentação fora de casa) está 8,1% mais cara do que em 2022 por conta do IPCA-15, que está na casa de 5,5%.

    Com o aumento no preço do principal alimento da semana santa, bares e restaurantes se organizam e usam a criatividade para adaptar o cardápio. É o caso da Casa Milà, restaurante com inspirações espanholas, no Rio de Janeiro.

    Neste ano, o cardápio especial de Páscoa vai deixar o bacalhau de lado. Dessa forma, será possível oferecer aos clientes um prato especial com um valor competitivo, de R$ 98.

    “Esse ano a gente está justamente correndo do bacalhau por causa disso. A gente sabe que nessa época de Páscoa o preço aumenta bastante, então a gente vai utilizar um peixe que a gente já tem na casa, que é o filet de pargo. E aí o chef vai fazer uma receita especial com escama de banana da terra ao velouté de leite de coco. Por isso a gente não vai precisar aumentar o preço. A expectativa tá lá no alto. Nosso restaurante nasceu no meio da pandemia e a gente felizmente tá vendo essa recuperação do nosso mercado”, afirmou Lucas Leal, proprietário da Casa Milà.

    A Associação Brasileira de Bares e Restaurantes está otimista e esperando um aumento na movimentação durante o período.

    “Este é um período favorável por termos uma maior demanda de reservas familiares. Com isso, a expectativa é de considerável aumento na movimentação dos restaurantes situados em áreas não comerciais. Para aqueles que ainda se encontram em situação de instabilidade, é um bom momento para investir em um atendimento com ainda mais qualidade e agilidade para suprir essa procura da melhor forma”, afirmou Pedro Hermeto, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes.

    Varejo também está confiante para a Páscoa

    O levantamento da CNC também apontou que as vendas do varejo para a Páscoa deverão totalizar cerca de R$ 2,49 bilhões em 2023. Se a expectativa for confirmada, o volume de vendas deve ser 2,8% maior em relação a mesma data do ano passado, já descontada a inflação.

    Em 2020, logo após o anúncio da pandemia da Covid-19, a receita do varejo registrou o menor patamar de vendas em 10 anos. Mas apesar do aumento no faturamento real esperado neste ano, o montante financeiro deverá ficar 2,7% abaixo do de 2019.

    Segundo a CNC, a Páscoa representa a sexta data comemorativa mais relevante do calendário do varejo nacional.

    “Gradativamente, a retomada da economia vai se robustecendo e reaquecendo o varejo. A tendência é que as perdas provocadas pela pandemia sejam revertidas a partir da melhoria do contexto macroeconômico”, aponta o presidente da CNC, José Roberto Tadros.

    O levantamento da CNC apontou crescimento nas vendas especialmente em Santa Catarina (7,9%), no Ceará (7%) e no Espírito Santo (6,8%).

    Os maiores volumes de faturamento, no entanto, tendem a se concentrar em São Paulo (com R$ 977 milhões), Minas Gerais (R$ 273 milhões) e Rio de Janeiro (R$ 244 milhões).

    Juntos, os três estados responderão por 60% do volume financeiro gerado pela Páscoa deste ano.