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    Com população menor no Censo, Brasil está “mais rico” do que se imaginava

    De acordo com estimativa de pesquisadora da FGV, PIB per capita ficou 5,8% maior do que o estimado depois que a pesquisa do IBGE contou quase 12 milhões de pessoas a menos no país que o esperado

    Comércio em Manaus: envelhecimento rápido e pandemia podem explicar população menor
    Comércio em Manaus: envelhecimento rápido e pandemia podem explicar população menor Marcelo Camargo/ Agência Brasil

    Juliana Eliasda CNN

    em São Paulo

    Uma das principais revelações dos dados prévios do Censo 2022 – feito com dois anos de atraso por conta da pandemia, e, depois, por falta de orçamento – foi o fato de que a população brasileira chegou ao ano passado consideravelmente menor do que o que era esperado.

    Entre as mais imediatas das várias consequências em que isto implica, está o fato de que a população brasileira, na média, também está um pouco mais rica que o imaginado, já que todo o dinheiro disponível no país – medido pelo Produto Interno Bruto (PIB) – precisa ser dividido por menos pessoas.

    Em contas preliminares feitas pela economista Silvia Matos, pesquisadora da Fundação Getúlio Vargas (FGV), o PIB per capita do Brasil acabou o ano passado 5,8% maior, ou algo como R$ 2.600 a mais por ano para cada pessoa, do que o calculado antes do Censo.

    Pela conta anterior, o PIB per capita brasileiro era de R$ 46.155. Com a notícia de que o Brasil, na verdade, tem menos pessoas, esse pedaço do PIB que cabe a cada uma subiu para R$ 48.829.

    “Sumiram” 12 milhões de pessoas

    Divulgados no fim de junho pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), os primeiros dados do Censo 2022 revelaram que a população do país, no ano passado, chegou a pouco mais de 203 milhões de pessoas. O número exato é 203.062.512.

    São quase 12 milhões a menos que a última grande estimativa, feita pelo próprio IBGE há cinco anos, que era de 214,8 milhões.

    O ritmo de crescimento populacional, portanto, também acabou recalculado, e caiu pela metade: com os novos números, descobriu-se que a taxa média de aumento da população brasileira, na última década, foi de 0,5% ao ano. Antes, seria na faixa de 1%.

    “Sumiu um grupo da população, e não foi pouca gente, é uma diferença muito forte”, diz Silva, que é pesquisadora sênior da área de economia aplicada da FGV.

    “Só que o bolo continua basicamente o mesmo, então estamos dividindo o bolo por menos pessoas; o PIB per capita é isso.”

    Silvia ressalva que as contas do novo PIB per capita são, ainda, preliminares, dado que o IBGE divulgou, por ora, apenas os grandes números do Censo e, deve ainda detalhar e fazer ajustes na pesquisa.

    “Mas as grandes tendências não vão mudar”, diz a economista.

    Entre as possíveis explicações para o vão enorme no resultado populacional está um processo de envelhecimento mais rápido, além das perdas de vidas adicionadas pela pandemia.

    As menores cidades do Brasil, pelo Censo 2022

    Medida de renda

    O PIB per capita é uma conta que divide o PIB total do país, que foi de R$ 9,9 trilhões em 2022 no Brasil, pela população.

    Não é uma indicação precisa da qualidade de vida ou da riqueza real das pessoas, já que não verifica o grau de distribuição, mas dá uma indicação do nível de renda média do país.

    É essa métrica, por exemplo, que permite comparar o nível de uma economia com as outras e verificar se aquele é um país de renda alta, média ou baixa.

    Contagem completa

    A grande diferença entre o dado populacional anterior e o do Censo se dá pelo fato de que as estimativas periódicas feitas pelo IBGE, como a anterior, são apenas projeções, feitas por meio de amostragens e estatísticas.

    O Censo, por sua vez, é a grande contagem, completa e oficial, feita de toda a população. Como é um processo caro e trabalhoso, é feito apenas uma vez a cada década.

    Mas é por isso que ele é uma pesquisa essencial e a base para todas as grandes políticas públicas e até para a metodologia dos grandes números da economia, como a taxa de desemprego e o próprio PIB.

    Todas esses, inclusive, são dados que podem acabar revisados, em alguma medida, por conta da surpresa populacional que a edição de 2022 do Censo trouxe. “Até o passado é incerto”, diz Silvia.

    Menos gente, menos crescimento

    A pesquisadora da FGV e outros especialistas alertam, porém, que uma população menor e crescendo menos não é exatamente uma boa notícia, já que significa, também, menor potencial de crescimento.

    “Menos crescimento da população reduz a disponibilidade de mão de obra, e crescer fica mais difícil”, diz a economista da FGV.

    “Países jovens crescem mais rápido, porque têm oferta de trabalho abundante. O que o Censo indica é que a nossa transição demográfica, para uma população mais velha, foi mais acelerada do que o imaginado. O problema é que somos ainda um país de renda média baixa. Ficamos velhos antes de ficarmos ricos. O desafio, agora, será ainda mais severo.”