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    Com Selic a 13,75%, dados de emprego são “quase um milagre”, diz especialista

    Especialistas explicam que a Selic alta como ferramenta de controle da inflação traz o ônus de desacelerar a economia, e isso influencia diretamente na geração de empregos

    Tânia Rêgo /Agência Brasil

    Da CNN

    São Paulo

    Dados divulgados nesta sexta-feira (30) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostraram que a taxa de desemprego caiu para 8,3% no trimestre encerrado em maio — a menor para o período desde 2015.

    O economista-chefe do Banco Master e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Paulo Gala, define os resultados como “quase um milagre”, considerando a manutenção da taxa básica de juros em 13,75% ao ano desde agosto de 2022.

    “Há uma desaceleração no mercado de trabalho brasileiro, mas nada de grande impacto — por enquanto — para o nível de emprego. O mercado está desacelerando, mas ainda para de pé, consegue manter os níveis atuais de emprego”, indica.

    “E é importante lembrar que estamos com uma Selic de 13,75% ao ano. O Brasil não estar em recessão e o desemprego não está subindo muito é praticamente um milagre. Quando a Selic começar a cair e a gente começar a crescer de fato, as coisas vão melhorar bem para o mercado de trabalho brasileiro”, completa.

    Especialistas consultados pela CNN explicam que a Selic alta como ferramenta de controle da inflação traz o ônus de desacelerar a economia, e isso influencia diretamente na geração de empregos.

    Cenário para emprego

    Segundo o IBGE a população desocupada chegou a 8,9 milhões de pessoas, uma queda de 3% em relação ao trimestre anterior e de 15,9% se comparado ao mesmo período de 2022.

    Já o número de pessoas ocupadas, de 98,4 milhões, ficou estável na comparação trimestral e cresceu 0,9% no ano.

    O Itaú Unibanco avaliou, após a divulgação dos dados, que a diminuição da taxa se deu pela “expansão do emprego”, que avançou 0,4% na variação mês contra mês, com ajuste sazonal.

    A avaliação do Banco destaca que o avanço ocorre a despeito do aumento da taxa de participação (de 61,6% para 61,8%) e que a população ocupada cresceu tento no setor formal quanto no informal (0,4% e 0,7%, respectivamente).

    Segundo dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), divulgado na quinta-feira (29) pelo Ministério do Trabalho, o Brasil criou 155.277 vagas com carteira assinada em maio, resultado de 2.000.202 admissões e de 1.844.932 desligamentos.

    De janeiro a maio, o saldo de empregos criados é positivo em 865.360 vagas, resultado de 9.968.329 admissões e 9.102.969 desligamentos.

    O Bradesco destaca que o resultado ficou levemente abaixo das expectativas. Na avaliação do Banco, o destaque ficou com o comércio, “que surpreendeu negativamente pela primeira vez no ano”.

    “Apesar da desaceleração na margem, o ritmo atual ainda segue elevado e a trajetória é condizente com um crescimento da atividade econômica no segundo trimestre deste ano”, indica o relatório.

    Publicado por Danilo Moliterno.