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    Construção cresce 2,7% no 2º trimestre e ajuda na alta do PIB

    No acumulado do semestre, a construção foi a atividade industrial com maior crescimento, de 9,5%

    Setor de construção foi responsável pela abertura de mais de 184 mil vagas formais de janeiro a junho de 2022
    Setor de construção foi responsável pela abertura de mais de 184 mil vagas formais de janeiro a junho de 2022 Pilar Olivares/Reuters

    João Pedro Malardo CNN Brasil BusinessBruno Laforéda CNN

    em São Paulo

    A construção registrou o oitavo trimestre consecutivo de crescimento, ajudando na alta de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) no segundo trimestre e de 3,2% na comparação com o mesmo trimestre de 2021.

    Componente do setor da indústria, que avançou 2,2%, a construção teve alta de 2,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2022, e de 9,9% em relação ao mesmo período de 2021.

    No acumulado do semestre, a construção foi a atividade industrial com maior crescimento, de 9,5%.

    O desempenho foi melhor que o esperado, e confirma sinais de outros indicadores do setor que apontavam um crescimento da atividade, segundo Ana Castelo, coordenadora de Projetos de Construção do FGV Ibre. Para ela, o resultado mostra uma aceleração, e deve levar à elevação de projeções para 2022.

    Um dos dados que já indicava um número positivo do segmento no período é o aumento da quantidade de pessoas ocupadas no setor.

    De acordo com dados do Caged compilados pela Abrainc (Associação Brasileira das Incorporadoras Imobiliárias), o setor de construção foi responsável pela abertura de mais de 184 mil vagas formais de janeiro a junho de 2022.

    Desse total, 85.131 foram na construção de edifícios, 63.066 nos Serviços Especializados para a Construção e 36.551 em obras de infraestrutura. O setor respondeu por 13,8% da geração de vagas formais no Brasil durante o primeiro semestre.

    “O Caged mostrou que construção faz parte de 5% do estoque de trabalhadores, mas foi responsável por 15% dos novos empregos gerados, ou seja, gera três vezes mais que sua participação”, observa José Carlos Martins, presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic).

    Resiliência

    Para Castelo, o resultado no segundo trimestre indica uma resiliência da construção mesmo com um cenário econômico mais adverso, de juros elevados, e está ligado também ao ciclo particular do setor, que costuma ser mais longo.

    “A atividade hoje reflete investimentos, decisões, de algum tempo. No mercado imobiliário, tivemos um ciclo bom nos últimos 2 anos, favorecido pelo período de juros baixos e um deslocamento da poupança das famílias, com muitos lançamentos e vendas que agora se traduzem em obras”, explica.

    Ela ressalta que mesmo o mercado secundário, de imóveis usados, também ajuda, com uma demanda maior de reformas. Há, ainda, um ciclo de investimentos em obras públicas natural de anos eleitorais.

    A pesquisadora aponta uma resiliência nas vendas do mercado imobiliário, em um patamar alto mesmo com juros altos, o que ainda está garantindo um ciclo positivo mesmo com um ritmo de crescimento menor.

    Ao mesmo tempo, há uma mudança de composição, com “a média e alta renda alavancando o mercado, enquanto a habitação de interesse social sofre mais”.

    O presidente da Cbic destaca que os números do segundo trimestre “mostram a pujança, força que a construção civil está tendo nesse momento, com crescimento de 10,5% em 12 meses”.

    Martins ressalta que, enquanto o Brasil está a 0,3% do seu pico de atividade econômica, a construção civil está 23% abaixo do seu pico de atividade, indicando que ainda há espaço e potencial para crescimento

    “Estamos com um crescimento forte, estamos forte na atividade, e temos muito para crescermos e podermos devolver à sociedade melhores obras, qualidade de vida e emprego”, afirma.

    Já Castelo observa que, se o patamar de crescimento atual fosse estendido, sem nenhuma alta no próximo semestre, o setor encerraria 2022 com alta de 7%.

    Entretanto, “manter esse patamar é um desafio, porque a perspectiva é que investimentos de ciclo eleitoral percam força, e não pode esquecer que há um mercado menor, de reformas, que também deve afetar o desempenho”.

    Há ainda o peso do crescimento alto de 2021, como o de 4,4% no terceiro trimestre, criando uma base de comparação maior. Por isso, a expectativa de Castelo é de um semestre mais fraco, com o setor encerrando o ano com alta próxima de 5%.

    “Considerando o ciclo, mercado imobiliário deve se manter como força importante, mas o investimento público é o grande ponto. Estamos vendo as finanças federais e estaduais mais complicadas, então é uma área que perde força. 2023 ainda deve ser um ano bom, a questão é o quão resiliente esse ciclo se mostra”, avalia a pesquisadora.

    Um ponto positivo, destaca, é o recente ciclo de concessões federais, que deve levar a um aumento do investimento privado, mas que não deve compensar inteiramente um recuo nos últimos anos no investimento público em infraestrutura.

    Além disso, o setor pode se beneficiar da perspectiva de desaceleração no aumento de custos, com commodities mais baratas, o que favoreceria em especial os segmentos de reforma e habitação de interesse social, mas “há muitas questões ainda que não permitem ainda dizer que essa perspectiva vai se concretizar. Se ocorrer deve ajudar”.