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    COP 27: Brasil pretende se lançar como fonte de energia renovável para o planeta

    Entre as propostas levadas, país vai se oferecer como nação preferencial para investimentos internacionais

    COP 27 acontece entre 6 e 18 de novembro no Egito
    COP 27 acontece entre 6 e 18 de novembro no Egito Alena Koval/Pexels

    Gabrielle Varelada CNN

    em Brasília

    O Brasil pretende levar para a COP 27, que acontece entre 6 e 18 de novembro no Egito, o compromisso de ser fonte de energias renováveis para o planeta. Segundo o Ministério do Meio Ambiente, o foco principal será mostrar ao mundo “o Brasil como celeiro de energia limpa e garantia energética”.

    Entre as propostas a serem apresentadas pelo Brasil está a de oferecer o país como nação preferencial para investimentos internacionais pelas condições que possui de produzir energia de forma verde e sustentável.

    Energias limpas consistem em sistemas de produção que excluem qualquer tipo de poluição, principalmente por emissão de gases de efeito estufa como o CO₂, causadores das mudanças climáticas.

    O objetivo da COP 27 é justamente debater medidas para conter as mudanças climáticas a partir de mecanismos aplicáveis globalmente.

    De acordo com Joaquim Leite, ministro do Meio Ambiente, o estande do governo brasileiro está previsto para ser o maior já montado, e contará com a participação de CEOs e empreendedores. Para ele, a COP 27 ficará marcada pela discussão em torno das energias verdes.

    “Tema em que o Brasil é exemplo para o mundo. Já realizamos nossa transição energética, com uma das matrizes mais limpas do mundo. Temos ainda gigantescas oportunidades com a instalação de eólicas offshore e produção de hidrogênio verde”, destacou o ministro.

    A Confederação Nacional da Indústria também vai participar da COP 27 e pretende contribuir apresentando estratégias para baixo carbono, que se baseia em quatro pilares – transição energética, mercado de carbono, economia circular e conservação das florestas.

    Na prática, envolve medidas como a criação de um mercado global de carbono, com a adoção do sistema “cap and trade”, em que as empresas com volume de emissões inferior ao autorizado podem vender o excedente para as que lançam quantidade maior de gases de efeito estufa na atmosfera.

    A economia circular consiste na manutenção do fluxo circular dos recursos naturais, o que evita desperdício e diminui custos. O combate ao desmatamento ilegal e às queimadas é essencial nas ações de conservação das florestas.

    Em debate no Senado Federal nesta semana, parlamentares, professores, pesquisadores, engenheiros e entidades de meio ambiente se reuniram para discutir o cumprimento das metas da NDC (sigla em inglês para Contribuição Nacionalmente Determinada), que envolve compromissos voluntários criados por cada país signatário do Acordo de Paris, firmada na COP26, e cobraram as propostas do governo para a COP27.

    Na ocasião, os especialistas ressaltaram que o Brasil não tem cumprido as metas estabelecidas nas últimas edições do evento mais importe e o maior já realizado sobre adaptação climática, impacto climático na questão financeira e a colaboração para conter o aquecimento global.

    O senador Fabiano Contarato (PT/ES), que presidiu a sessão de debates, afirmou que o Brasil tem andado na contramão da “urgência climática”, pois a maioria dos índices importantes para manter o equilíbrio ambiental regrediu, e ainda o país tem se distanciando da meta de redução de emissões do Acordo de Paris.

    “As emissões de gases de efeito estufa no Brasil também aumentaram nos últimos três anos, inclusive durante a pandemia, quando elas se reduziram no mundo inteiro, e o Brasil foi no sentido contrário, aumentou as emissões. No Brasil, mesmo em áreas em que a gente tem muito avanço, nós reduzimos… Estamos retrocedendo nessa política, não é? Voltamos a fazer leilão de fontes de energia fósseis, além de estarmos agora subsidiando termelétricas. Estamos andando na contramão mesmo,” afirmou o senador.

    Para Viviane Romeiro, advogada com doutorado em energia com foco em política climática no Brasil e governança, e assessora Técnica do Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (Cebds), o Brasil tem várias lições aprendidas para reposicionar os elementos importantes nessa área.

    “Eu acho que, pela nossa atual governança climática, se historicamente consideradas as suas fragilidades, nós temos várias lições aprendidas para entender, quais são os elementos cruciais para uma governança mais robusta e, novamente, essa governança multinível que fortalece essa cooperação na capacidade da resolução dos problemas,” disse a advogada.

    Tasso Azevedo, Engenheiro Florestal e Coordenador do Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa do Observatório do Clima e do Projeto de Mapeamento Anual da Cobertura e Uso do Solo no Brasil (MapBiomas), defendeu que o Brasil precisa voltar ao rumo na agenda climática.

    “Para isso, três coisas importantes precisam de ser feitas o mais rápido possível: estabelecer uma governança de clima que tenha autoridade para garantir o cumprimento do Acordo de Paris, do acordo de florestas, a que o Brasil se associou, e também do acordo de metano, a que o Brasil se associou e ainda nem apresentou a meta,” completou Azevedo.