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    Dados do Caged surpreendem, e aumentam desafio do combate à inflação, dizem economistas

    Em março, o índice registrou a criação de 195.171 vagas de trabalho formal, acima da expectativa do mercado, que era de criação líquida de 100 mil empregos

    Especialistas avaliam os resultados observados nesta quinta-feira tendem a alterar as projeções para o final de 2022
    Especialistas avaliam os resultados observados nesta quinta-feira tendem a alterar as projeções para o final de 2022 Marcelo Camargo/Agência Brasil

    Pedro Zanattada CNN

    em São Paulo

    Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) divulgados nesta quinta-feira (27), superaram as expectativas dos analistas. A avaliação é de que o resultado demonstra uma resiliência do mercado de trabalho, mas também aumenta o desafio de combater a inflação.

    De acordo com o Ministério do Trabalho e Emprego, em março, foram criadas 195.171 vagas de trabalho formal, acima da expectativa do mercado, que era de criação líquida de 100 mil empregos.

    “Foi um Caged que surpreendeu todo mundo, os analistas de mercado, as projeções, até mesmo o teto delas […]. Significaria que estamos passando por uma resiliência do mercado de trabalho mesmo em um momento de desaceleração da atividade econômica”, diz Cosmo Donato, economista da LCA.

    O dado do mês passado é resultado de 2.168.418 admissões e 1.973.247 desligamentos. Na comparação anual, foram gerados 96.385 postos a mais do que em março de 2022, quando 98.786 empregos formais foram criados no país — alta de 97,6%.

    Em relatório, o Banco Original chama a atenção para a participação do setor de serviços. Além dele, a instituição cita Construção, Indústria e Comércio como os grandes grupos.

    Donato explica que os dados pressionam a inflação de salários e menciona que o Brasil ainda está em um momento de aumento do rendimento real que estava represado por conta da pandemia.

    “Olhando à frente, apesar desta surpresa positiva, alguns fatores devem se traduzir em uma perda de ímpeto do mercado de trabalho: uma retomada da taxa de participação, a perspectiva de desaceleração da atividade econômica, especialmente a partir do segundo trimestre, e o declínio das forças que impulsionaram o setor de serviços no pós-pandemia. No entanto, os dados fortes de hoje mostram que essa desaceleração será mais lenta, aumentando os desafios do combate à inflação”, diz o relatório do Banco Original.

    Para Renan Pieri, economista da FGV, a geração de emprego deve sim perder força nos próximos meses, dado as expectativas de recessão para este ano.

    “Com a expectativa de recessão nos Estados Unidos e na Europa em 2023, esse cenário nos leva a crer que esse momento de expansão [do mercado de trabalho] pode estar chegando ao fim e que devemos observar uma certa estagnação da geração de empregos ou um crescimento menor nos próximos meses”, afirmou.

    Destaques do Caged

    Serviços

    O setor de serviços liderou novamente em criação de vagas de emprego formais no mês passado. Segundo o Caged, foram 122.323 postos, com destaque para a Administração Pública (defesa e seguridade social, educação, saúde humana e serviços sociais), que criou 44.913.

    Na sequência, vem Construção Civil, com saldo de 33.641 vagas, Indústria, com 20.984, e Comércio, com criação de 18.555 postos em março. Apenas o setor da Agropecuária ficou no negativo no mês, com contração de 322.

    Salário médio

    O salário médio das admissões de março, em todo território nacional, foi de R$ 1.960,72 — queda de 1,51%, ou de R$ 30,06 em relação ao mês anterior, quando estava em 1.990,78.

    Em março do ano passado, o salário médio real estava em R$ 1.954,63.

    Regiões

    Todas as cinco regiões do país registraram saldos positivos no mês passado. O Sudeste liderou a pesquisa, com criação de 113.374 postos, ou 0,52% a mais do que em fevereiro, seguido pelo Sul, com 37.441 postos (0,47%).

    Depois, veio Centro-Oeste (22.435, alta de 0,60%), Nordeste (14.115, de +0,20%) e Norte (10.077, de +0,49%).

    Segundo a pesquisa, 22 das 27 unidades da Federação (UFs) registraram saldos positivos no mês passado. Entre os estados, os destaques ficam com São Paulo, que gerou 50.768 vagas, seguido por Minas Gerais, com 38.730, e Rio de Janeiro, com 19.427.

    Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte foram os que menos geraram empregos formais, com desligamentos na ordem de 5.266, 815 e 78, respectivamente.