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    Deflação: o que é e como ela impacta no bolso dos consumidores

    IPCA registra queda de 0,08% em junho, o primeiro resultado negativo desde setembro de 2022; movimento, porém, não quer dizer que todos os produtos estão mais baratos

    Iasmin Paivada CNN

    São Paulo

    Em junho, o indicador oficial da inflação doméstica ficou negativo pela primeira vez desde setembro do ano passado, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados na manhã desta terça-feira (11).

    O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) registrou queda de 0,08% ante avanço de 0,23% em maio. O resultado fez o acumulado de 12 meses cair para 3,16% — abaixo da meta perseguida pelo Banco Central (BC).

    Assim como a inflação, a deflação — ou a queda disseminada dos preços — também gera impactos no bolso dos consumidores.

    Mas isso não quer dizer, necessariamente, que os consumidores irão perceber todos os produtos mais baratos nas vitrines das lojas e nas prateleiras dos mercados no seu dia a dia.

    Isso porque o fenômeno é medido por indicadores que acompanham os preços para os consumidores, os mesmos indicadores que medem a inflação.

    Geralmente, eles avaliam a variação de preços de uma cesta de produtos. Mas cada indicador seleciona uma determinada lista, além de conferir pesos diferentes para cada item dela.

    Isso significa que nem sempre todos os itens precisam registrar queda de preço para ter uma deflação, mas a média ponderada desses itens precisa indicar um recuo para que isso aconteça.

    Por isso, os dados divulgados pelos indicadores resultam de um cálculo próprio.

    Gustavo Cruz, Estrategista Chefe da RB Investimentos, explica que a medida de deflação dos indicadores pode ser vista como uma simulação.

    “Se uma pessoa consumisse todos os produtos da cesta, nas mesmas proporções, ela concluiria que teria gasto menor na comparação com o período anterior. Mas nenhum brasileiro consome todos os itens de uma cesta em todos os meses do ano”.

    Variação dos indicadores

    O IPCA calcula a variação de preço de mais de 374 itens que chegam, de alguma maneira, ao lar ou à vida da maioria dos consumidores brasileiros.

    A lista do indicador é dividida em nove grupos: alimentos e bebidas, habitação, artigos de residência, vestuário, transportes, saúde e cuidados pessoais, despesas pessoais, educação, e comunicação.

    Os alimentos comprados no supermercado, por exemplo, que estão em um subgrupo chamado de “alimentação no domicílio”, representam 16% do indicador, enquanto transportes, 21%.

    Já o Índice Geral de Preços — Mercado (IGP-M), conhecido como inflação do aluguel, vai estudar os preços de: contratos de aluguel, tarifas públicas, como energia e telefonia; valor de contratos de empresas prestadoras de serviços em diversas categorias, como educação e saúde; preços de contratos público-privados dos mais variados segmentos.

    Mas a regra funciona igualmente para todos os indicadores: se tem deflação, a média ponderada dos produtos resultou em um valor menor do que o divulgado no período anterior, apontando para uma queda de preços disseminada pelos itens da cesta, se registrar inflação, o valor foi maior que o anterior.

    Curto prazo

    O registro de deflação pode ter impactos diferentes no consumidor. E isso vai depender do cenário econômico em que o país se encontra.

    Uma deflação isolada, ou seja, que quebra uma sequência de inflações representa um alívio nos preços para o consumidor, que estavam vendo os preços, em média, subirem mês após mês.

    Ela pode indicar um alívio para o setor de consumo. Isso por que o Banco Central tem a função de controlar a inflação através do aumento dos juros.

    Portanto, um movimento negativo na comparação de preços mensal pode sinalizar um alívio monetário, com o BC diminuindo as taxas de juros e, consequentemente, estimulando mais o consumo.

    Longo prazo

    Por outro lado, um movimento contínuo de desinflações pode ser preocupante para a economia, já que ela representa uma queda contínua dos preços, em média.

    Nesse cenário, os setores da indústria podem deixar de produzir para não vender suas mercadorias a um preço mais baixo.

    Esse cenário pode gerar uma desaceleração na economia e aumento do desemprego, reduzindo o poder de compra da população e, consequentemente, desencadeando uma inflação.