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    Em Portugal, Lula volta a criticar privatizações: “Patrimônio ficou menor e serviço não melhorou”

    Discursando em fórum com empresários brasileiros e portugueses, presidente também criticou a taxa de juros alta: "Ninguém toma dinheiro emprestado a 13,75%"

    CNN

    O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) voltou a defender estatais e criticar privatizações durante discurso que realizou, nesta segunda-feira (24), em um fórum com empresários portugueses e brasileiros, na cidade do Porto, em Portugal.

    “No Brasil, não vamos vender empresas públicas. O que queremos é convidar os empresários a fazerem parcerias conosco naquilo que a gente precisa criar de novo”, disse o petista.

    “Nos últimos seis anos, se vendeu muito patrimônio público. Não para construir outro patrimônio ou outro ativo. Se vendeu para simplesmente pagar juros da dívida pública. Nos desfizemos do nosso patrimônio, nosso patrimônio ficou menor e a qualidade do serviço não melhorou”, acrescentou.

    Discursando após o primeiro-ministro de Portugal, António Costa, Lula voltou a usar a privatização da Eletrobras como exemplo a ser criticado, citando aumentos nos salários da diretoria da empresa.

    “Se quiserem ver o absurdo, agora eu tenho que indicar um conselheiro. O conselheiro dessa empresa – para trabalhar uma vez por mês – ganha R$ 200 mil. Essa é apenas uma demonstração da desfaçatez do que aconteceu no Brasil nesses anos do obscurantismo”, disse Lula.

    Em sua fala, ele também aproveitou para voltar a criticar a taxa básica de juros.

    “Nós temos um problema no Brasil que a nossa taxa de juros é muito alta. A nossa taxa Selic está 13,75%. Ninguém toma dinheiro emprestado a 13,75%. Um país capitalista precisa de dinheiro e esse dinheiro precisa circular. Não apenas na mão de poucos, mas na mão de todos. A solução para o Brasil é voltar a colocar o pobre no orçamento”, afirmou.

    Lula discursa em fórum empresarial em Portugal / Reprodução TV Brasil

    Ao longo de seu discurso, o presidente reiteradamente bateu na tecla de que “o Brasil voltou”, reforçando a importância das viagens internacionais e diálogo com outras nações, e criticando o que chamou de desmonte das políticas públicas dos últimos seis anos – governos dos ex-presidentes Jair Bolsonaro (PL) e Michel Temer (MDB).

    “O Brasil está de volta para ser protagonista internacional. É por isso que estou me dedicando inclusive em tentar parar de falar em guerra e tentar construir a paz para que a humanidade possa viver melhor”, concluiu Lula.

    Lula ainda entregará prêmio Camões para Chico Buarque nesta segunda

    Após a participação no Fórum Empresarial Portugal-Brasil: Parcerias para a Inovação, Lula estava previsto para retornar a Lisboa a bordo de um Embraer KC-390.

    O projeto do avião KC-390, que acabou incorporado à Força Aérea Portuguesa, contou com a contribuição do Centro de Engenharia e Desenvolvimento (CEiiA), organizador do fórum.

    Recentemente, Portugal e Brasil firmaram um contrato que prevê a entrega de cinco cargueiros da fabricante de aeronaves brasileira com sede no interior de São Paulo, e Lula deve tentar fazer com que o país se torne uma porta de entrada para a venda das aeronaves à União Europeia.

    Lula (PT) fala durante evento em Portugal / CNN Reprodução

    Às 12h (às 8h, no horário de Brasília), Lula faz uma visita à Indústria Aeronáutica de Portugal, a OGMA. No sábado (22), o primeiro-ministro português confirmou que será firmada uma parceria entre os dois países para a produção da aeronave A-29N Super Tucano pela Embraer no padrão que atende aos requisitos operacionais da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

    Logo depois, ele tem um almoço reservado com António Costa.

    E às 16h (às 12h, no horário de Brasília), no Palácio Queluz, deve participar da entrega do prêmio Camões ao artista brasileiro Chico Buarque. Após recusa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em assinar o prêmio de 100 mil euros, atribuído em 2019, o cantor e compositor será homenageado em cerimônia no Palácio Nacional de Queluz, em Sintra, nos arredores de Lisboa, com a participação de Lula.

    (Publicado por Léo Lopes)