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    Endividamento e inadimplência das famílias batem recorde em julho, diz CNC

    Dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo mostram que 78% dos consumidores estão endividados e 29% deles têm contas atrasadas

    Levantamento foi realizado com aproximadamente 18 mil consumidores distribuídos em todas as capitais e no Distrito Federal
    Levantamento foi realizado com aproximadamente 18 mil consumidores distribuídos em todas as capitais e no Distrito Federal Foto: Pixabay

    Isabelle Resendeda CNN

    no Rio de Janeiro

    O segundo semestre do ano começou com recordes de endividamento e inadimplência no país.

    Em relação às famílias com contas ainda a vencer, os endividados, o índice voltou a subir em julho, após dois meses de queda, e atingiu 78% dos lares brasileiros, contra 77,3% do mês anterior e 71,4% de um ano atrás.

    Já a proporção de consumidores com contas ou dívidas atrasadas, os inadimplentes, chegou ao maior patamar em 12 anos: 29%, ante 28,5% de junho e 25,6% de julho de 2021.

    Além disso, 10,7% não têm condições de arcar com os compromissos financeiros. Segundo especialistas ouvidos pela CNN, o aumento da taxa de juros contribui para esse cenário.

    Os dados são da Pesquisa Nacional de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), feita pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

    O levantamento foi realizado com aproximadamente 18 mil consumidores distribuídos em todas as capitais e no Distrito Federal.

    Segundo a CNC, a dinâmica de aceleração do endividamento neste início de semestre ocorreu de forma semelhante nas duas faixas de renda pesquisadas.

    Para as famílias com ganhos superiores a dez salários mínimos mensais, a alta da contratação de dívidas foi maior em julho (+0,8 p.p.), chegando a 75% dos lares, retomando o comportamento de aceleração de janeiro a abril.

    Entre as famílias com renda inferior a dez salários mínimos, o crescimento da proporção de endividados (+0,6 p.p.), com 78,8% dos lares incluídos, em razão da elevação dos juros, mostra que esse grupo segue enfrentando desafios no orçamento para manter o nível de consumo.

    Em julho, o endividamento atingiu 80,6% entre as mulheres e 77,5% entre os homens.

    No entanto, em relação a junho, a proporção com contas a pagar cresceu mais entre o público masculino (+1 p.p.) do que entre o feminino (0,5 p.p.)

    A economista da CNC Izis Fernandes explica que, apesar de o mercado estar absorvendo trabalhadores, a inflação elevada achata os rendimentos e dificulta a organização do orçamento familiar.

    Além disso, o avanço da informalidade no emprego é outro fator que aumenta a volatilidade e a incerteza sobre a renda, atrapalhando a gestão das finanças pessoais.

    Já a alta dos indicadores de inadimplência, após moderação e queda entre abril, maio e junho, para a CNC, indica que as medidas extraordinárias de suporte à renda, como os saques extras do FGTS e a antecipação do 13º salário aos beneficiários do INSS, aparentemente tiveram efeito restrito ao segundo trimestre no pagamento de contas e/ou dívidas já atrasadas.

    Quanto ao principal tipo de dívida, o cartão de crédito ainda lidera (85,4%), mas pelo terceiro mês consecutivo houve queda no índice, que chegou a 88,8% em abril.

    De acordo com a CNC, esse movimento de redução da proporção nessa modalidade mostra que as famílias têm buscado alternativas de crédito mais baratas devido à elevação dos juros.

    Carnês de lojas e crédito pessoal foram as modalidades que avançaram no endividamento, neste início de segundo semestre, representando 18,8% e 9,2% do total de famílias, respectivamente.

    Para os próximos meses, a expectativa da economista Izis Fernandes é de que tanto o endividamento quanto a inadimplência das famílias brasileiras sigam em alta, em parte, em função da possibilidade da obtenção de crédito consignado para as famílias que recebem o Auxílio Brasil ou o Benefício de Prestação Continuada (BPC).

    Ela explica que a medida anunciada pelo governo federal, na semana passada, pode ser uma armadilha para o consumidor de baixa renda.

    “Embora o consignado seja uma modalidade com garantia, essas famílias vão ter uma renda disponível ao longo do tempo menor para custear o resto das contas e outras dívidas eventuais”, colocou.

    “Você está expondo essas pessoas a uma situação de endividamento maior porque muitos muitas vezes elas já têm dívidas em outras modalidades, já têm outras contas a pagar. Possivelmente elas vão ficar inadimplentes em algum tipo de conta ou dívida fora dessa do crédito consignado então, de fato, o endividamento vai aumentar e consequentemente a inadimplência também.”