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    Entenda como a suspensão da exportação de diesel pela Rússia afeta o Brasil

    Rússia se tornou o principal fornecedor das importações de diesel do país

    Rússia anunciou restrições temporárias às exportações de combustível
    Rússia anunciou restrições temporárias às exportações de combustível Sputnik/Gavriil Grigorov/Kremlin via REUTERS

    Amanda Sampaioda CNN

    São Paulo

    Rússia restringiu temporariamente as exportações de gasolina e diesel na última quinta-feira (21) a fim de estabilizar o mercado interno, segundo informações divulgadas pelo governo russo.

    Apesar do funcionamento das restrições não ter sido especificado pelo governo, o Ministério da Energia da Rússia afirmou que elas impedirão as exportações não autorizadas de combustíveis para motores.

    Para o comentarista de energia da CNN, Adriano Pires, a suspensão segue a chamada “lógica de mercado”.

    Devido à guerra na Ucrânia, a Rússia perdeu seu principal mercado de diesel — a Europa. Para conquistar novos mercados, o país passou a vender diesel abaixo do preço do mercado internacional.

    “Com isso, mesmo com as sanções, o diesel, que antes ia para a Europa, passou a ir para outros países, inclusive o Brasil”, explica Pires.

    Como consequência desse desconto no combustível, a demanda por diesel russo subiu de forma significativa.

    “No Brasil, 80% das importações de diesel passaram a ter origem russa. Vendo a demanda aumentar, a Rússia percebeu que poderia subir o preço do combustível. E para que esse aumento fosse ainda maior, adotou a mesma prática do petróleo e restringiu a oferta temporariamente”, acrescenta.

    Para o especialista, a consequência da restrição para o Brasil está atrelada ao aumento de preço do combustível no país. No entanto, Pires não acredita em um possível desabastecimento.

    “O aumento pode acontecer porque teremos que comprar combustível a preço de mercado internacional. Mas falta de diesel não vai ter”.

    Nos últimos meses, a Rússia enfrentou escassez de gasolina e diesel e os preços dos combustíveis no atacado aumentaram devido ao aumento dos preços globais do petróleo e ao enfraquecimento do rublo.

    Uma outra hipótese para a restrição, segundo Pires, envolve a questão climática.

    “Com o El Niño, o inverno deste ano no hemisfério Norte pode ser forte. Com isso, a Rússia também pode criando estoque para se preparar para o frio”, avalia.

    No entanto, o especialista acredita que a restrição será temporária.

    “Isso será temporário, até porque o volume que ela [Rússia] produz é muito maior do que o que consome”, conclui.

    A Rússia tem uma política de longa data de limitar os preços dos combustíveis no varejo, tentando controlá-los de acordo com a inflação oficial.