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    Entenda por que as universidades dos EUA estão ficando cada vez mais caras

    Algumas chegam a custar cerca de R$ 460 mil por ano, segundo dados coletados pelo US News & World Report

    Prédio na Universidade de Harvard
    Prédio na Universidade de Harvard Foto: Instagram/ Reprodução

    Nicole Goodkindda CNN

    Nova York

    O norte-americano médio economizou US$ 5.011 (cerca de R$ 24 mil) no ano passado. Isso significa que eles levariam cerca de 75 anos para economizar dinheiro suficiente para enviar um filho para uma universidade de primeira linha dos Estados Unidos.

    A faculdade é muito cara. E o preço segue ficando cada vez mais caro.

    A mensalidade média nas faculdades particulares dos Estados Unidos cresceu cerca de 4% no ano passado, para pouco menos de US$ 40 mil (cerca de R$ 192 mil) por ano, segundo dados coletados pelo US News & World Report. Para uma universidade pública, esse custo foi de US$ 10,5 mil (cerca de R$ 50 mil), o que representa um aumento médio anual de 0,8% para alunos do estado onde ela está localizada e cerca de 1% para alunos de fora do estado.

    Mas, em universidades altamente classificadas ou seletivas, o preço aumenta substancialmente. A Universidade de Harvard cobra US$ 57,246 (cerca de R$ 275 mil) em mensalidades e taxas, por ano, para estudantes de graduação. Quando você adiciona moradia, alimentação, livros e outras despesas de custo de vida, Harvard diz que você deve pagar cerca de US$ 95.438 (cerca de R$ 460 mil) por ano.

    Nem sempre foi assim. Após o ajuste pela inflação da moeda, as mensalidades universitárias aumentaram 747,8% desde 1963, segundo a Education Data Initiative.

    E entre 1980 e 2020, o preço médio das mensalidades, taxas, hospedagem e alimentação para um curso de graduação aumentou 169%, conforme aponta com um relatório do Georgetown University Center on Education and the Workforce.

    Isso supera de longe os aumentos salariais.

    No mesmo período de 40 anos, os rendimentos dos trabalhadores de 22 a 27 anos aumentaram apenas 19%, segundo o relatório.

    Isso pode explicar por que a confiança dos americanos no ensino superior caiu para um nível recorde, conforme aponta uma pesquisa Gallup divulgada nesta semana. A pesquisa de junho descobriu que apenas 36% dos americanos confiam no ensino superior, uma queda de mais de 20 pontos percentuais em relação a oito anos atrás.

    “Embora a Gallup não tenha investigado as razões por trás da recente queda na confiança, os custos crescentes da educação pós-secundária provavelmente desempenham um papel significativo”, disse Megan Brenan, consultora de pesquisa da Gallup.

    Então, por que o preço da faculdade está subindo tão rapidamente?

    O alto custo de professores humanos

    Custa muito caro contratar professores, disse Catharine Hill, economista da organização educacional sem fins lucrativos Ithaka S&R e ex-presidente do Vassar College.

    “O ensino superior é produzido principalmente por trabalhadores qualificados — professores e administradores”, disse ela. “O preço deles na economia aumentou.”

    Os salários reais dos trabalhadores qualificados dos EUA ultrapassaram a inflação em alguns pontos percentuais por longos períodos de tempo, mas outras indústrias conseguiram compensar esses custos trabalhistas por meio de avanços de produtividade que reduzem sua dependência de mão de obra qualificada — coisas como IA e robótica.

    Mas não há muitos robôs dando aulas na faculdade. Você ainda precisa de professores com diplomas caros para fazer isso.

    “Praticamente produzimos ensino superior da maneira que costumávamos fazer, que é um membro do corpo docente diante de uma turma de 20 a 40 alunos”, disse Hill. “Isso significa que não houve ganhos de eficiência para reduzir esse custo.”

    Algumas universidades têm se apoiado mais fortemente em professores temporário e não efetivos com baixa remuneração e sem acesso a benefícios do empregador em uma tentativa de economizar dinheiro. O sistema de ensino superior tornou-se cada vez mais dependente desse tipo de trabalho, segundo a Associação Nacional de Educação. Quase 70% dos membros do corpo docente dos EUA ocuparam uma posição temporária no outono de 2021, acima dos 47% em 1987.

    A competição pelas famílias mais ricas está elevando os custos

    A desigualdade de renda nos Estados Unidos aumentou significativamente desde a década de 1970, e há uma lacuna muito maior entre os ricos e a classe média hoje do que havia naquela época.

    Em 2021, os 10% mais ricos dos americanos detinham quase 70% da riqueza dos EUA, contra cerca de 61% no final de 1989, segundo o Conselho de Relações Exteriores. O 1% mais rico nos Estados Unidos agora leva para casa 21% de toda a renda nos Estados Unidos, segundo o Instituto de Política Econômica.

    Isso significa que uma universidade de alto nível pode cobrar o que quiser e ainda encontrará famílias ricas dispostas e aptas a pagar a cada ano.

    “As universidades emblemáticas estão competindo por alunos talentosos e famílias que possam pagar o preço de etiqueta”, disse Hill. Essas famílias “não têm problemas para preencher esse cheque” e estão dispostas a gastar mais em troca de serviços de luxo e campi bem conservados. “Eles querem turmas pequenas, querem bons dormitórios, querem boa comida”, disse Hill.

    Se as faculdades tentassem reduzir os gastos e cortar essas amenidades, disse ela, “eles não acabariam atraindo esses alunos”.

    Atualmente, as universidades gastam mais em serviços administrativos e luxos do que no passado, conforme aponta um estudo recente do Conselho Americano de Curadores e Ex-alunos. Esse tipo de gasto cresceu 29% entre 2010 e 2018, em comparação com um aumento de 17% nos gastos com pessoal docente.

    Subsídios estatais caem

    As legislaturas estaduais também estão contribuindo menos em seus orçamentos para a educação pública do que costumavam.

    Entre 2020 e 2021, o financiamento estadual para o ensino superior diminuiu em 37 estados em uma média de 6%, segunda uma análise recente da Associação Nacional de Educação. “Isso significa que as faculdades e universidades devem contar com os alunos para pagar o custo da faculdade — e esses alunos estão tomando empréstimos para fazer isso”, escreveu a entidade em um relatório.

    Muitos estudantes das melhores universidades do país que se qualificam estão recebendo uma boa quantidade de ajuda financeira e outros subsídios, reduzindo bastante o preço que pagam por seus diplomas. Mas nem todos se beneficiam de ajuda financeira e outros subsídios.

    O preço líquido da faculdade

    Sim, os preços dos cobrados pelas universidades estão aumentando. Mas o valor que os alunos e suas famílias estão desembolsando vem diminuindo.

    O aluno médio de uma faculdade particular de quatro anos pagou US$ 32,8 mil (cerca de R$ 155 mil) por mensalidade, hospedagem e alimentação no ano passado. Quando ajustado pela inflação, o preço real pago pela universidade particular caiu 11% nos últimos cinco anos, de acordo com dados do College Board.

    Para faculdades públicas, o preço líquido é em média de pouco mais de US$ 19 mil (cerca de R$ 90 mil) e caiu 13% nos últimos cinco anos.

    O que vem depois

    “Esse tipo de discussão sobre se essa ‘doença do custo da faculdade’ poderia continuar existiu há 50 anos também, com as pessoas dizendo: ‘oh, não poderia passar de US$ 30 mil (cerca de R$ 145 mil). Não poderia passar de US$ 40 mil (cerca de R$ 190 mil)’”, disse Hill.

    “Em algum nível, se a renda continuar subindo da maneira que vem crescendo, acho que isso vai continuar por um tempo.”

    Antes do ajuste pela inflação, a dívida média de empréstimos estudantis na formatura aumentou 2.807% desde 1970, segundo o EDI. Mesmo corrigida pela inflação, a dívida média aumentou 317%.

    Explosão de dívida estudantil

    No final do mês passado, a Suprema Corte suspendeu o programa de perdão de empréstimos estudantis do presidente Joe Biden, impedindo que milhões recebessem até US$ 20 mil (cerca de R$ 95 mil) em perdão da dívida estudantil federal, poucos meses antes de os pagamentos dos empréstimos estudantis serem reiniciados após uma pausa de um ano. Na sexta-feira (14), o governo Biden disse que 804 mil tomadores de empréstimos terão um total de US$ 39 bilhões (cerca de R$ 185 mil) em dívidas eliminadas nas próximas semanas.

    Há cerca de US$ 1,6 trilhão (cerca de R$ 7,7 bilhões) em dívidas de empréstimos pendentes nos Estados Unidos.

    Este conteúdo foi criado originalmente em inglês.

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