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    Entrada de novos países nos Brics faz bloco ganhar relevância no mundo, dizem economistas

    Grupo representa quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial com novos integrantes e se torna mais representativo no ponto de vista econômico

    Para especialistas, bloco passa ser uma alternativa aos outros grupos diplomáticos do mundo
    Para especialistas, bloco passa ser uma alternativa aos outros grupos diplomáticos do mundo Per-Anders Pettersson/Getty Images

    Diego Mendesda CNN

    São Paulo

    A entrada de novos países ao grupo dos Brics aumenta a visibilidade do bloco perante o mundo e a expressão dos membros em negociações e acordos comerciais, afirmam especialistas ouvidos pela CNN.

    Com essa nova formação, o bloco representa quase 40% do Produto Interno Bruto (PIB) mundial. A partir de 2024, além de Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul, o grupo contará com Arábia SauditaArgentinaEgitoEmirados ÁrabesEtiópia e Irã.

    Segundo Leonardo Paz, pesquisador do Núcleo de Prospecção e Inteligência Internacional da FGV (FGV NPII), com a entrada dos novos países, o bloco se torna mais representativo, no ponto de vista econômico.

    “O posicionamento que estão colocando em relação às grandes soluções do mundo ganha muito mais força, pois estão mais próximo do G20.”

    Entretanto, Paz pondera que os novos países do grupo já estão alinhados com a agenda dos Brics, o que não deve gerar mudanças drásticas nas linhas defendidas pelo bloco.

    “Estas tratativas são pautadas pelos principais parceiros, em especial a China, que é mais forte e teria mais capacidade de aportar qualquer tipo de solução.”

    Para ele, a nova formação do bloco passa a ter mais peso para uma alternativa aos outros grupos diplomáticos do mundo.

    “É um espaço para grandes debates relacionado ao comércio internacional, à liquidez entre os parceiros e novas articulações. Os integrantes poderão se encontrar com mais frequência, alinhar melhor as ideias e se apresentar enquanto um bloco”, opina o pesquisador da FGV.

    Posição do Brasil

    Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos, avalia que, para o Brasil, a situação é de um maior interesse em estreitar laços comerciais. Quanto mais integrado com esses países, melhores ficam as ligações comerciais para todos.

    Vale ressaltar que a exportação do Brasil para os novos países do bloco ainda é baixo.

    Segundo levantamento da Logcomex, no ano de 2022, o país exportou US$ 12,758 bilhões para a África do Sul, representando uma participação de 3,82% do total enviado para o mercado global.

    No primeiro trimestre de 2023, as exportações representaram US$ 3.206,4 (4,21% de participação nas exportações totais) e as importações, US$ 2.221,6 (3,68% das importações totais).

    Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) mostram que, para o Egito — novo componente no grupo — o Brasil exportou US$ 2.842 bilhões em 2022, o que representa apenas 0,8% do total. De importação, foram US$ 640 milhões.

    Para a Etiópia, outro país novato no bloco, o Brasil exportou US$ 28,7 milhões em 2022, uma fatia de 0,009% do total da exportação brasileira.

    “Quanto mais unir com esses países, melhor para o Brasil. Frequentemente, a China bloqueia relações comerciais com o Brasil devido a um fato extraordinário — bloqueia compra de carne brasileira por conta de um caso de vaca louca, por exemplo”, explica.

    “Então, ficando mais integrado, pode facilitar as relações com os países que não tem uma tradição comercial”.

    Para ele, o ponto mais positivo para o Brasil neste cenário é na questão comercial. “Olhando para Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos, a visão é fazer com eles invistam mais aqui do que, por exemplo, na Colômbia, que não faz parte do grupo.”

    Movimentações mais rápidas

    A dinâmica econômica entre esses países passa a ficar maior. Cruz explica que os países que entraram no grupo e os que já faziam parte passam a estreitar os laços comerciais.

    “O Egito, por exemplo, é um grande importador de alimentos. Quando começou a crise na Ucrânia, foi um dos primeiros países que a ONU alertou de que seria impactado negativamente. Se este problema tivesse acontecido agora, com o país sendo integrante dos Brics, o Brasil poderia negociar e suprir melhor essa demanda de alimento”, diz.

    Ou seja, a entrada de novos membros no bloco proporciona uma melhor comunicação entre eles e, automaticamente, uma negociação comercial mais eficaz.

    “Haverá uma predisposição melhor para os países do bloco aceitar algum produto mais comum entre eles do que de um que não faz parte”.

    Gustavo Cruz

    Visão dos países de fora

    A entrada de novos países ao bloco chama mais atenção ainda do resto do mundo, já que havia um grande interesse de outras nações em fazer parte dos Brics.

    “Há uma lista de preferência de alguns países. Se falou em Tailândia, Indonésia e Vietnã, por exemplo. E faz sentido integrar esses países do sudeste asiático, pois podem se tornar bons parceiros comerciais”, avalia Cruz.

    Na visão de Paz, as posições dos Brics agora serão mais importantes e terão mais demanda. Segundo ele, os países do ocidente, como os Estados Unidos e o bloco europeu, durante muitos anos questionaram a existência do Brics por ser composto por nações diferentes e por terem pouca relevância.

    “Hoje isso mudou. Este grupo, que não era visto com bons olhos, tem agora mais de 20 países na lista querendo fazer parte”, aponta Paz.