Fraude no INSS: Veja como golpes funcionam e como saber se você foi vítima

Nova fase da Operação Sem Desconto, deflagrada nesta quarta-feira (27), apura esquema de descontos em massa a aposentados e pensionistas

Manuela Miniguini, colaboração para a CNN Brasil, São Paulo
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Associações responsáveis por descontos em contracheques de aposentados e pensionistas são alvos da nova fase da Operação Sem Desconto. Deflagrada nesta quarta-feira (27), a investigação apura um esquema de fraudes bilionárias no INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).

A Polícia Federal tem 31 mandados de busca e apreensão nos estados de Pernambuco, São Paulo e Paraíba, além do Distrito Federal. Em SP, a operação investiga quatro associações e três em Brasília.

Segundo o inquérito, como modus operandi, o grupo de golpistas captava dados de aposentados em instituições bancárias por meio de sistemas de adesão de novos "associados" à essas instituições.

No golpe, produzia tokens falsos e empregava biometria fraudulenta para simular assinaturas em fichas de filiação e validar descontos perante o INSS.

Os investigados também prestavam assessoria a outras entidades interessadas em replicar o modelo de fraude e promoviam a ocultação e dissimulação dos valores por meio de empresas de fachada, além da aquisição de bens de alto valor.

Segundo Jeff Patzlaff, planejador financeiro e especialista em investimentos, a fraude descoberta pela Operação Sem Desconto "contava com a ajuda de servidores e ex-diretores do próprio INSS, que recebiam propina para facilitar ou fazer vista grossa para esses descontos em massa".

De acordo com o Serasa, fraudes como essa, são cometidas por organizações que alegam oferecer serviços como assistência jurídica, descontos em academias, planos de saúde, e outros benefícios mesmo que não sejam aptas a cumprir com o prometido.

Por outro lado, Bruno Perri, economista-chefe e sócio-fundador da Forum Investimentos, explica que "nem sempre o golpe começa com uma ligação ou uma mensagem. Muitas vezes o aposentado sequer percebe que foi captado. O que aconteceu foi o uso indevido de dados pessoais para simular uma adesão a uma associação, como se a pessoa tivesse autorizado aquele desconto".

Para saber se foi vítima da fraude, o Serasa e demais especialistas recomendam que os beneficiários do INSS verifiquem regularmente o extrato do benefício, especialmente no período de 2019 a 2024, época em que o maior número de fraudes foi registrado.

Siga o passo a passo para conferir o extrato:

  • Acesse o aplicativo ou site Meu INSS;
  • Faça login com seu CPF e senha do Gov.br;
  • Na tela inicial, clique em "Extrato de benefício";
  • Clique sobre o número do seu benefício;
  • Na tela seguinte, será exibido o extrato com todos os descontos aplicados.

Durante a análise, o Serasa recomenda que o pensionista observe sinais de fraude, como descontos regulares identificados como “mensalidade associativa” ou “débito associação".

Além desse tipo de golpe, o órgão de proteção ao crédito também alerta para outras modalidades.

Elas podem ser sinalizadas no extrato como parcelas de empréstimos consignados, que não foram contratadas; valores descontados para serviços ou seguros não solicitados, ou qualquer desconto regular que o beneficiário não reconheça ou não tenha autorizado.

Se algum desconto foi identificado, é possível receber os valores de volta. Confira:

  • Exclua a cobrança indevida pelo app ou site Meu INSS:
    • Acesse a plataforma e clique em "Novo pedido";
    • Digite "excluir mensalidade" no campo de busca";
    • Selecione o serviço "Excluir mensalidade de associação ou sindicato no benefício";
    • Siga instruções na tela para concluir;
    • A exclusão da mensalidade associativa também pode ser realizada por telefone, via central 135.
  • Bloqueie o benefício para novas associações buscando por "solicitar bloqueio ou desbloqueio de mensalidade";
  • Solicite os valores por meio de contato com a entidade responsável pelo desconto, solicitação via e-mail para o INSS ou registro de reclamação no Portal Consumidor.Gov e na Ouvidoria do INSS, através da Plataforma Fala BR.

Vale salientar que o INSS não solicita dados pessoais por telefone, e-mail ou mensagens. Por isso, para se previnir, ao receber ligações ou SMS suspeitos em nome da instituição, não forneça dados pessoais ou clique em links duvidosos.

Patzlaff, por sua vez, explica que, ao contestar o desconto, o INSS tem até 15 dias úteis para provar a autorização do pensionista. "Sem resposta válida, o sistema libera um botão para você aceitar o acordo de devolução. Após clicar e aderir ao acordo, o dinheiro cai na conta do seu benefício em até 3 dias úteis".

O planejador salienta que, para indígenas, quilombolas e idosos acima de 80 anos, essa devolução ocorre de forma automática, sem nem precisar fazer a adesão manual.

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